Danielle Means, 36 anos

Ouvindo outra pessoa dizendo me pareceu tão diferente! Pois é… sensação esquisita ao conferir a matéria no Estadão. Que coisa. Essa sou eu, essa é minha idade. Que velha.

Creio que na internet escrevo há quase 10 anos. Já fui mais animada e mais mal humorada também…acho que era reflexo da minha falta de foco ou de me sensibilizar demais com tudo que me acontecia. Hoje estou mais seletiva…digo, realidade demais faz a gente perder a graça. Ou pode ser a idade também.

Lembro de uma vez ter contado sobre um vizinho que me viu de calcinha pela janela. Também de uma carona de moto que me fazia rir toda vez que eu me via no reflexo de algum carro, porque me dei conta que de capacete eu estava parecendo um power ranger. Tinha o mau humor exagerado em épocas de verão ou textos sofriiiiidos por não entender a mediocridade humana. Depois de um tempo fui ficando mais emotiva e passei a sofrer (mais) por amor. Descobri que eu sabia falar do que sentia, e que, finalmente, todos conseguiam entender cada palavra que eu queria dizer.

Hoje eu não sei não. O calor já não me deixa mais de mau humor… A cada dia de sol eu sinto que to morrendo mais um pouquinho, mais do que aquela nossa dose de cada dia.

Esses dias eu estava tomando banho… A água estava uma delícia… Marina assistindo TV… Fiquei ali o tempo que quis, só eu e meus pensamentos. Finalmente estava me sentindo relaxada. Saí do banho com aquela sensação linda, de pessoas positivas e que acreditam que duendes esconderam sua chave, e não que alguém (provavelmente você) deve ser enfiado no $#@%$. Tive várias idéias bacanas… Daí olhei para o porta papel-higiênico e vi que estava vazio. Pois é. De repente, minha mente quase imaculada foi estuprada por aquela cena, e tudo de bom que estava na minha cabeça foi substituído pelo ódio no coração. Porra, lá vai eu pegar papel higiênico. Sim, porque se eu sento no vaso e não tem papel, eu tenho vontade de quebrar o vaso.

Eu sou linda ou não sou?

Aos 36 anos eu me olho no espelho, e cabelos brancos não me assustam mais. Se injustiça e insensibilidade, no outro, sempre me assustaram muito, hoje, aos 36, imaturidade me assusta muito mais.

Aliás, será que vou conseguir parar de falar de envelhecimento algum dia?

Parei.

ps: alguém entendeu esse post? porque comecei pensando numa coisa, o telefone tocou, saí para pagar o aluguel, voltei e agora minha mente foi estuprada pela lembrança de que Marina vai chegar da escola AGORA. fui.

Danielle Means

Meu nome aparece nas opções de pesquisa do Google. É uma situação inusitada, porque não sou uma pessoa conhecida. Escrevo num site popular, que tem força no seu nome, e não na individualidade de suas autoras. Porém, acredito que textos paralelos conseguiram cativar algumas pessoas. Meu temperamento difícil e minha vida bagunçada renderam alguns textos de reflexão, ou, quem sabe, fizeram as pessoas rirem.

Não me incomodo com o Google, mas meu lado antissocial impede que eu me sinta à vontade. Desisti de escrever a partir do momento que meus textos passaram a ser eu. Desisti a partir do momento que eles passaram a descrever minha vida, e dar liberdade às pessoas de ler a mim e não minhas palavras. Não escrevo para pessoas que jogam em cima de mim os seus valores. Não busco e nem ofereço respostas. Eu gosto de escrever para quem apenas precisa ler.

Não me escondo aqui. Mantenho meu nome para quem quiser achar, mas que não achem a mim, por favor. Por favor me dêem liberdade de escrever sem que isso seja usado contra mim.

Parece pretensão. Pode ser também… I don’t care.

Descobri que sou ótima em muitas coisas que nunca pensei que fosse capaz. E hoje faço terapia para tentar entender tudo o que me tornei. Ganhei muitas qualidades, que vieram com outros defeitos difíceis de sustentar.

Mas a gente conversa sobre isso depois.