Dos retalhos

retalho

Estive pensando num texto que falasse sobre recomeço. No entanto, quantas vezes fiz textos sobre recomeços? Acho que o tempo todo. A vida e essa mania de toda hora me dar uma rasteira… E eu, que evito me fazer de vítima, sempre tentei olhar pra cima, usando palavras de incentivo e otimismo, com a certeza de que aquela era só mais uma história dentre tantas outras.

Meus recomeços são atípicos. Não procuro os amigos pra me divertir, não caio na noite, não procuro academias e nem posto nada prazinimigas verem que tô ótima (outh!). Acho uma boa ideia… Revigorar a alegria. Mas, no máximo mudo o cabelo. E me reservo aos meus pensamentos, filmes e livros. Às vezes recorro a alguém para conversar. Às vezes para lamentar, às vezes para dividir ou só para distrair.

Nem sempre fui assim. Olhando pra trás, vejo uma imensa colcha de retalhos. Vários tecidos de diferentes cores. Diferentes linhas. Retalhos velhos e novos. Vários cortes de cabelo. Várias festas. Vários amigos. Vários livros. Várias fotos. Várias casas. Várias dietas. Vários amores. Várias formas de me consertar, ficar bonita e confortável.

A minha última historia de amor foi algo que a principio eu achava divertido. Depois eu virei uma pessoa triste, depressiva, doente. Virei alguém que eu não conhecia: descontrolada, passando por cima de mim, do meu orgulho, dos meus princípios e ética. Com minha colcha brega aprendi que quando tomamos uma decisão, temos que pagar o preço dela. Se era um relacionamento que eu havia escolhido, eu evitava falar sobre os problemas que ele me trazia. Não adianta reclamar de um relacionamento que você decide ficar. Não adianta colocar a culpa no outro. Não adianta gostar de alguém que te faz mal e ser feliz ao mesmo tempo.Eu sabia. Mas, ficava com aquela esperança triste e silenciosa de que talvez eu pudesse ser feliz de novo com aquela pessoa que eu tanto gostava.

Essa história de amor acabou e eu precisei de muitos retalhos. Atrevo-me a dizer que essas costuras faço até hoje… Muitos eus foram desfeitos, assim como outros foram criados.

Lembrando de tantos retalhos ao longo da minha vida, hoje queria escrever um texto que fizesse com que eu me convencesse, que realmente a vida todos os dias nos dá oportunidade de recomeçar. Ou seria de se reinventar?

Atualmente existe um pedaço de mim… A vida andou me ensinando muitas coisas enquanto eu não prestava atenção. A gente tem por hábito depois juntar tudo, costurar e virar quem a gente é. Funciona assim. A vida. Mas, a morte… ela ensina o quê? E eu estou prestando atenção desta vez. É um retalho que não se costura. É um pedaço de mim que não sei o fazer com ele. Não se joga fora, não se esquece, não se queima, não se apaga. Eu acho que a gente dobra, coloca no bolso e carrega para sempre.

Recomeçar. Renascer. Reinventar. A gente vira artista sem querer. A gente faz arte todo dia, e ninguém sabe. Nem a gente.

Tum-tum

coracao_ferido

Percebi que meus olhos estão abertos. Tudo continua igual. As horas ainda parecem dias. O telefone tocou, a campainha, minha filha chamou, minha família, meu trabalho, meus amigos.

Existe uma estreita diferença entre querer morrer e não querer viver. E eu não queria mais, se eu pudesse. Queria que tudo parasse, mas existe tanta vida em minha volta, que ela me chama o tempo todo para levantar. Estou viva. Por mais que isso pareça inacreditável, meu coração continua batendo. Fraco, mas muito, muito vivo.

Há uma solidão em mim, que não me incomoda. Ela é responsável por várias horas de TV e leitura. Não mais a escrita. Mas, não sou triste. Bem, talvez eu seja. Relações, de qualquer natureza, não fazem parte das minhas (poucas) habilidades. Só vejo meus amigos quando tenho vontade. Na verdade, todos são assim… a diferença entre nós é que eu quero pouco. Minha família também reclama sobre minha falta de amor. No enterro do meu pai uma tia me disse que uma vez ele (meu pai) lhe disse que me achava igual a ela: fria. Eu não sabia que meu pai me achava fria. Essa descoberta não me entristeceu. Ora, talvez meu pai tivesse razão.

Em minha defesa digo que não é por querer. Já tentei explicar de diversas formas, porque é importante para mim que as pessoas que me amam saibam que as amo também. Descobri que não é que eu não dê importância às pessoas. Eu não gosto é de sair do meu ninho, e dificilmente gosto que tenham acesso a ele.

Acho que depois que tive Marina meu amor foi tão canalizado, que não consegui mais dar conta de ninguém. Minha filha, graças a Deus, se sente muito amada e feliz. Até porque ela faz parte do ninho. Aliás, de uns tempos pra cá ela acorda de madrugada, levanta e vem na cabeceira da minha cama me dar um beijo na testa. Não chorem com que vou dizer, mas desde então acho que é meu pai me beijando.Talvez seja uma grande besteira, mas viu, pai, eu não sou fria não.

Opa, esse texto não é para ser triste.Mas a gente que lida com uma perda dessa dimensão, pensa muito no sentido da vida. E meu coração está tão preenchido pela força que faz ele bater, que não consigo me dar ao luxo de ser infeliz.

Com tanta coisa importante no mundo, resolvi trocar minha foto de perfil do Facebook, pela foto do Leonardo DiCaprio, me juntando à galera que torce para que ele ganhe o Oscar. O que isso significa pra mim exatamente? Ora, porra nenhuma. Mas, eu ri. Quero que ele ganhe, mesmo que isso não signifique absolutamente nada. Quero brincar. Quero ir num show do Paul McCartney de novo. Quero comer comida japonesa.Quero ir pra praia. Quero assistir Friends.Quero uma sobremesa maravilhosa, e não vou sentir culpa! Aliás, não vou mais sentir culpa de nada. Meu coração não bate pra isso.

Não estou forte, mas estou viva. O coração está pesado, mas o sorriso é sincero.

Vida após a morte

Dos meus 42 anos de vida, há dois meses vivo sem o meu pai. Ele teve uma série de complicações, inofensivas a princípio, que em uma semana debilitaram seu corpo – frágil pelo tabagismo -, que resultou numa parada cardíaca.

Não vivíamos na mesma casa há aproximadamente uns 5 ou 6 anos, mas nunca saí de perto. Minha casa é exatamente em frente à casa dos meus pais. Desses 42 anos, convivi com eles todos os dias da minha vida. Raríssima exceções por alguma curta viagem. Todos os meus aniversários, dos meus irmãos, dos nossos filhos, todas datas comemorativas.

Há dois meses minha mãe não convive mais com seu marido, juntos há quase 50 anos. Há dois meses eu e meus irmão não temos o nosso pai. Não vou enfeitar o texto mostrando o quão maravilhoso ele era. Ele também era chato pra caralho. Mas tenho certeza que ele cumpriu com muita competência o seu papel, com todo amor e dedicação que um pai deve ter. E hoje estamos aqui com a sensação de que a vida que a gente tinha acabou, e que daqui para frente é um tudo de novo.

Tenho a impressão que luto não é dor. Luto é um estado de espírito que vai além de todas as dores que você já sentiu ou imaginou que poderia sentir. É algo além das emoções. Não é tristeza… É falta de vida dentro de nós. A vida que tivemos até hoje, morre. Eu já havia perdido algumas pessoas muito queridas, mas nunca alguém que fazia parte de mim. Já tive perdas materiais e emocionais. Já me senti humilhada, devastada. Já fiquei sem esperanças, sem direção, sem amor. Mas, nunca, nunca havia me sentido sem vida. No entanto, existe vida a nossa volta. Tudo continua igual e nada parou de funcionar. Só você.

Lidar com o mundo passou a ser um (re)aprendizado. As pessoas perguntam se está tudo bem. Costumo dizer que sim, mas a verdade é que eu não faço a menor ideia. Eu tenho que reconceituar minha vida pra saber.

Nós fomos imensamente acolhidos pelos amigos e familiares. Minha mãe recebeu visitas a semana inteira. Particularmente, rejeitei tentativas de aproximação: telefonemas, encontros, visitas, mensagens. Algumas respondi, mas, de todo coração, não sei qual foi o critério. Sei que muitos, se pudessem, até me pegariam no colo… Mas, eu só queria ficar sozinha e em silêncio.

Porém, existe um outro lado das boas intenções, que não posso deixar de alertar. Talvez por não saber ao certo o que nos dizer, alguns recorrem às religiões para tentar nos consolar. Preciso lembrá-los que geralmente os enlutados têm sua própria religião e estão lutando com ela. O melhor é dar um abraço e se mostrar solidário e amigo. Não chova no molhado, mesmo que seja de coração ou porque não encontrou palavras melhores. Não sabemos os planos de Deus, mas foi melhor assim. Deus sabe de todas as coisas. Ele agora está melhor. Com o tempo você se acostuma. Lembro de estar sentada na calçada de casa chorando, uma vizinha que não conheço muito bem, parou para me dar um abraço e dizer que meu pai era muito querido, que lamentava muito, mas que, por favor, era pra eu parar de chorar, porque era muito pior para ele se desligar da Terra. Tá bom? Tá bom. (TEU CU)

É verdade também é que a gente perde um pouco a fé, mas isso faz parte da falta de vida que disse ali em cima. Eu acredito em Deus, e quando tenho oportunidade, falo da minha fé. Quando meu pai faleceu, eu disse para Ele que não me revoltaria como muitos fazem. Disse que estava ciente de que um dia eu passaria por isso, que essa era a lei da vida e que nosso (eu e Ele) relacionamento ainda estava de boa. Só que… levei mais de um mês para falar com Ele de novo.

Há dois meses eu choro todos os dias, por motivos diferentes. É uma readaptação muito lenta. Tentamos não nos deixar levar e também a tentar lutar por nós mesmos. Eu ainda falo dele todos os dias, mas sem medo. Lembrar e falar do meu pai JAMAIS deverá ser uma tristeza. A saudade esmaga a gente e é com ela que a gente luta.

Tenho lido alguns livros que falam sobre espiritualidade. Curiosidade de saber como ele pode estar “vivendo” num outro lugar. Se pode nos ver ou estar por perto. Se está bem, se está feliz, se estão cuidando bem dele.Ninguém e nem nada nesse mundo pode censurar o meu choro, mas entendo que, independente de religião, o melhor, inclusive para nós mesmos, é lembrar dele com muito amor e alegria. É muita pretensão achar que cuidaríamos melhor do meu pai, mas mesmo assim sempre peço a Deus que cuide bem dele por nós, e que transmita todo amor que a gente sente.

Enquanto isso, por aqui a gente tenta manter o seu legado. Queria contar pra ele o que a gente tem feito. Aliás, pai, hoje eu coloquei o rejunte no box. Aquele que você deixou aqui e disse para eu fazer porque era facinho. Fiz igual a minha cara. Você faria melhor, mas… nosso lema é fazer mesmo sem saber, porque no final Deus ajuda e a gente sempre acerta. Ou não. :-P

Às vezes penso que poderíamos ter feito diferente. Todas as vezes que ele foi ao médico e este determinou repouso, que deveríamos ter arrumado um jeito de amarrá-lo em algum lugar. Ele subia na casa pra olhar a caixa d’água, ia à mercearia e trazia peso, mudava os móveis de lugar, ia bater perna na rua. Não adiantava brigar. Ninguém mandava nele. O que me consola é que ele sempre foi dono da sua vida.

A morte existe.E ela não leva apenas quem se foi. A gente fica aqui num tipo de realidade paralela, reaprendendo, reconceituando, sobrevivendo.Sei que vai chegar um dia que não teremos aquela pontinha de angústia ao reunir toda família. Sei que nossos filhos darão (mais) sentido às nossas vidas, ao nosso trabalho, às festas e em algum momento tudo volta algo que seja próximo ao “normal”.

Às vezes quero acordar desse pesadelo, que se tornou vida.

Que Deus nos ajude a voltar a sonhar.

NA NA NA NA NA

Esse texto não é uma retrospectiva de 2014. Mentira, é sim. Mas, prometo que, apesar de toda probabilidade, não vou te cansar. Até porque, se você faz parte dos meus 14 leitores do mundo inteiro, e lê os meus textos até hoje, é porque, além de acreditar em Papai Noel, me acha irresistível.

Então que hoje, conversando com meu pai, após várias reflexões, ele me alertou sobre uma supersticiosa falta de sorte cármica. Não se verbaliza um desejo. Dizem que dá azar. Por isso relutava em me dizer algo que desejava que desse certo para mim. Não contou para ninguém, receoso, para proteger o que lhe era valioso. Daí que, pela primeira vez na vida, como se não acreditasse em desatinos, respondi: tem problema não, pai…o vento tem andado a meu favor… pode me contar.

Inédito. E incrível.

Sempre julguei meus anos como uma sucessão de caos, misturados com uma terrível sensação de que o universo era uma piada. Aliás, a piada era eu. Não, não! Não se trata de um drama existencial. Não desta vez. Apenas perdi a identidade. Fiquei perdida no meio do furacão. Consequentemente, parei de escrever, e com a mais sincera resistência, confesso que desaprendi. Minha escrita não amadureceu comigo, meu vocabulário não renovou e tudo parecia um filme repetido, assistido e escrito tantas vezes. Acho que infeliz nunca fui, mas esse filme estranho, que me recuso a reescrever, já estava cansativo.

Que fique claro que meus verbos no passado não mudaram o filme, mas tenho a impressão de que deixei o filme no mudo, e por uma falta de opção física ou emocional, liguei o rádio. No meio de tanta teoria, quem sabe se quem canta os males espanta?

Tenho o hábito de usar fones no ouvido para distrair os pensamentos e ignorar o que não quero ouvir, como pessoas desconhecidas que puxam assunto ou as conhecidas que puxam também. E esse hábito me serve como analogia para um suposto fone de ouvido que o universo me deu, provavelmente no Natal passado, porque em 2014 fiz tanta coisa legal, cumpri tantas promessas que me fiz! Aliás, se você nunca cumpriu uma promessa que se fez, por favor, experimenta! Me dei um monte de presentes. No Dia das Mães o presente foi da minha filha. Cantei as músicas mais lindas do planeta, num coro apaixonado, regido pelo Paul McCartney. Não tive medo do “não”. Me acabei com vários “sim”. Só não consegui começar a dieta segunda-feira, porque, né? Comer é bom pra c*ralho.

Talvez o cosmo tenha me perdoado, porque finalmente eu admiti que sou/estou perdida. Ou um caso perdido? De qualquer forma, me perdi e decidi que vou ficar por aqui mesmo. Poetas dizem que a gente não pode se conformar, mas eu não sou poeta, e o mundo, pra mim, sempre foi uma bagunça. Então, me dou ao luxo de me conformar, e ficar. Eu sou essa pessoa que você conhece e reclama. Aliás, céus, como reclamam! Bem que tentei mudar, mas não deu certo. Chegou a hora de você também se conformar. Daqui eu não saio mais.

Não tenho planos para 2015, mas já tenho algumas ideias. Meu pai não me aconselharia verbalizar desejos, e eu não me atreveria contrariar tal sabedoria milenar, mas já que o vento tem sido meu amigo, arrisco desejar um 2015 cheio de NA NA NA NA NA pra mim. E pra você.

Hey, Jude, don’t make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her under your skin
Then you’ll begin to make it better.

Paul McCartney

Prozaquiando

Normalmente, pessoas que usam algum tipo de medicação controlada, não gostam de assumir o fato. Primeiro, por uma questão de privacidade. Segundo, porque não querem ficar expostas ao preconceito. Pensando bem, não é um bom cartão de visitas.

Uma vez, uma amiga me disse que preferiu não se envolver com um homem que lhe confessou ser depressivo e fazia tratamento. Charmoso não é. Parece atestado de problema. Você olha para trás e vê toda qualidade de homem-problema que passou pela sua vida, e agora um depressivo assumido? Ok, não parece uma boa ideia, mas, apesar de não saber do contexto, arrisco um palpite.

Particularmente, não me aborreço com supostos julgamentos. Não faz parte do meu currículo, nem diria numa entrevista de emprego, mas, em algum momento apropriado, não me importo em expor aos amigos minha condição de ansiosa, depressiva AND medicada. Não sei o que pensam a respeito, no entanto, se fosse eu a ouvinte, talvez não lhes levasse muito a sério. Eu e meu preconceito, claro.

Daí que lembrei que não há UMA pessoa que eu conheça que seja “normal”. Aliás, ninguém sabe o que é isso. Todas se descontrolam, brigam, choram, são bipolares (palavra na moda) e infernizam a vida de alguém, mesmo com todo amor do mundo. “Eu não”. Mas, nem eu. Todavia, quando olho para trás e vejo a quantidade de homens loucos que passaram pela minha vida, pensando bem, por que eu me assustaria justamente com aquele que se trata? Quando um homem me chama de louca, por impulso, primeiro mando que entre na fila. Mas, logo depois lhe asseguro que de todas as outras loucas que passaram por sua existência, sou a única medicada. E mais: o suficiente para saber que o “louco” da relação é ele, que não se trata. Claro que não dá certo. A louca com atestado sou eu.

No meu trabalho é algo comum. A maioria dos problemas físicos que tive (e os que aparecem) tem relação direta com minha profissão. No gastro, no cardiologista, no ortopedista… a primeira pergunta: “Em que você trabalha?”. “Sou professora”. “Huuumm, entendi”. Nem preciso revelar os sintomas para o tratamento. No psiquiatra não seria diferente. Professores, bancários e guardas de trânsito são campeões em medicação controlada. Sabia não? Pois é.

Tudo isso não se trata só da sua relação com o outro. Você não está se adaptando ou buscado um aprimoramento social. É muito mais a relação que você tem com você mesmo. As pequenas coisas permanecem pequenas. Chega de tempestades de copos d’água. Chega de se sentir tão agredida pela ignorância alheia. Chega de agredir as pessoas com a sua ignorância. Chega de se sentir mal por, talvez, ser diferente.

Óbvio que meu organismo já se habituou com a medicação, e a falta dele me faz mal tanto quanto qualquer tipo de abstinência, inclusive da Coca-cola. O que deve se ter em mente é que não existe pílula da felicidade. A gente precisa só de um freio para as emoções da gente que estão desgovernadas.

Hoje em dia meus alunos gostam de mim. Nunca achei que isso seria possível. Minhas relações sociais diminuíram, mas é só um reflexo acentuado de uma característica minha, algo que também não tive problema em me permitir. Passei a gostar um pouco mais de quem eu gostava de menos, e um pouco menos de quem eu gostava demais.

Não sou o melhor exemplo e nem sirvo de regra pra coisa alguma. Mas se, no fundo, você acha que precisa de ajuda emocional, passe por cima dos seus próprios preconceitos. Você encontrará ajuda, não pra ser assim como eu. Você vai encontrar ajuda para o tão sonhado desafio de ser apenas você.

101 coisas em 1001 dias

Eu gosto muito das ideias da frozinha Biessa, e achei muito legal fazer uma listinha de metas. Tudo bem que deu um trabalho danado pra fazer. Tudo bem que essas “listinhas de ano novo” são todas promessas que gostaríamos de cumprir, mas nunca será. BUT, é tanta coisa possível e importante, que mesmo que não se cumpra tudo, vai valer a pena tudo o que der certo. Então, vamulá:

101 coisas em 1001 dias
Início: 07/01/2014
Término: 03/10/2016

Status:
– itens realizados
– itens em andamento
– itens não realizados/desistência/mudei de ideia

Família/casa
1.       Faxineira 1x por semana.
2.       Castrar Lisa. (minha gatinha)
3.       Não deixar livros/folhas de prova/trabalhos acumulados espalhados pela mesa da sala.
4.       Cozinhar para os amigos.
5.       Jantar com os primos, pelo menos, 2x por ano.
6.       Comprar um sofá confortável.
7.       Mudar para um apartamento.
8.       Comprar uma cama nova pra Marina.
9.       Comprar uma cama nova pra mim.
10.   Comprar uma Apple TV.
11.   Trocar meu Iphone por um modelo mais novo.
12.   Comprar uma luminária style para colocar ao lado da minha cama.
13.   Encher a parede do meu quarto com fotos.
14.   Comprar mais prateleiras, inclusive para o box.
15.   Comprar um computador para Marina.
16.   Tentar convencer Marina que o quarto dela é mais legal que o meu.
17.   Tentar convencer Marina que a cama dela é melhor que a minha.
18.   Comprar uma escrivaninha para Marina.

Saúde/beleza
19.   Manter o cabelo curto. SIM!
20.   Emagrecer, pelo menos, 5 kg. (Engordei 20 kg quando engravidei. Perdi 10 depois q minha filha nasceu. Se eu conseguir perder 5, ficarei feliz da vida! Tento, preguiçosamente, há quase 7 anos)
21.   Parar de procurar o dentista só em caso de emergência.
22.   Ter uma alimentação mais saudável.
23.   Praticar alguma atividade física que não envolva puxar/levantar pesos.
24.   Fazer uma tatuagem no pé.
25.   Ir mais vezes à praia.
26.   Comprar mais acessórios “moda praia”.
27.   Investir mais em maquiagem.
28.   Parar com a preguiça de me maquiar.
29.   Ter o hábito de levar batom na bolsa.
30.   Parar de fazer sobrancelhas em casa.
31.   Voltar ao oftalmologista.
32.   Fazer óculos novos.
33.   Comprar cremes anti-age, principalmente para área dos olhos.
34.   Tomar mais sucos.
35. Tomar menos Coca-cola
36.   Procurar algo (médico/dieta/atividade física) que ACABE com minha dor na coluna.
37.   Parar com a preguiça de fazer saladas.
38.   Comer menos frituras.
39.   Voltar a fazer terapia.
40.   Pagar um plano de saúde pra mim.
41.   Apaixonar-se.
42.   Beber mais água.
43.   Não acordar tarde, mesmo nas férias/feriados.

Vida intelectual
44.   Fazer uma pós.
45.   Assistir a mais filmes “estrangeiros”.
46.   Ler, pelo menos, um livro por mês.
47.   Conseguir criar um grupo de leitura. Com direito a cafezinho à tarde.
48.   Criar uma oficina de escritores com meus alunos.
49.   Escrever, pelo menos, 1 vez por mês no meu blog pessoal.

Organização
50.   Organizar as fotos de Marina, desde que eu estava grávida.
51.   Revelar todas as fotos organizadas.
52.   Criar um álbum com tais fotos.
53.   Comprar algum “porta sabão em pó”, porque a caixa de papel fica molenga.
54.   Comprar um pote grande para guardar ração de gato.
55.   Preciso de alguma coisa também para guardar temperos!

Dinheiro
56.   Encontrar um lugar pra morar onde a relação custoXbenefício seja perfeita.
57.   Poupar dinheiro mensalmente.
58.   Dar prioridade ao necessário.
59.   Diminuir com o delivery.
60.   ECOMONIZAR LUZ!
61.   Cancelar 90% dos e-mails cheios de promoções imperdíveis.
62.   Parar com essa mania de achar que preciso de TUDO ao mesmo tempo agora.
63.   Voltar a juntar moedas no cofrinho

Lazer/viagens
64.   Levar minha filha pra andar de avião.
65.   Conhecer Foz do Iguaçu.
66.   Ir pra SP para levar Marina ao show do One Direction, aproveitar e conhecer azamiga tudo.
67.   Comer num restaurante delicioso, ir a um centro cultural e ir pra night paulista. Tudo em um dia só!
68.   Fazer uma trilha nível LEVÍSSIMO.
69.   Tirar passaporte. (meu e de Marina)
70.   Providenciar a carteira de identidade de Marina.
71.   Fazer uma viagem internacional com Marina. (Qualquer uma)
72.  Conhecer Ilha Grande.
73.   Ir ao Cristo Redendor.
74.   Conhecer Curitiba NO INVERNO.
75.   Levar Marina para conhecer a neve!
76.   Levar Marina para nadar com peixinhos!
77.   Aproveitar feriados para fazer absolutamente nada.
78.   Ir ao cinema que não seja para assistir a filmes infantis.
79.   Não desistir de assistir aos episódios de Modern family, porque ADORO, mas esqueço.
80.   Conhecer o MAR (Museu de Arte do Rio).
81.   Ir ao teatro. Acho que não vou há uns 10 anos.
82.   Tomar banho de cachoeira.
83.  Ir ali em Paquetá.

Diversos
84.   Escrever outro livro.
85.   Ter mais vasos de flores em casa.
86.   Comprar um abridor de vinhos.
87.   Experimentar mais vinhos.
88.   Experimentar comida japonesa. (uma que dê certo)
89.   Experimentar segredo 1.
90.   Praticar mais segredo 2.
91.   Segredo 3 sempre!
92.   Caso faça uma trilha, comprar um tênis bom pra isso. Coluna agradece.
93.   Lembrar de fazer alongamento todos os dias antes de sair pra trabalhar.
94.   Ler mais livros de autoajuda. (eu gosto)
95.   Ler/ouvir mais noticiários.
96.   Fazer um piquenique!
97.   Parar de comer podreiras na hora do recreio!
98.   Não me acomodar, em qualquer área da minha vida.
99.   Renovar a minha fé.
100.Socializar mais com amigas(os) de trabalho.
101.  Atualizar a lista a cada conquista. ;-)

Sobre a Lei do Retorno

Se existe alguma coisa que faço bem é refletir sobre a minha vida, principalmente na hora de dormir. Você, que tem insônia, sabe do que estou falando. E nessas infindas reflexões, sempre há o momento “o que fiz para merecer isso?”, “como assim a gente colhe o que a gente planta?”, “como que nasceu uma vaca desse ovo?”.

Aí, a gente vai pras redes sociais e tem um monte de gente boa dialogando cazinimiga. Não há nada mais pavoroso do que “tudo que me desejas, te desejo em dobro”. Claro que o recado foi pro suposto recalque que tem inveja de sua vida abençoada por Deus. Ou seja, enquanto o recalque quer que você tenha uma dor de dente bacana ou morra, tomara que ela morra também, mas, sei lá, eletrocutada. Bem feito. Deus está contigo.

Aliás, Renato Russo já dizia que “Deus está do lado de quem vai vencer”. Acho a frase reflexiva, e talvez seja um ótimo tema para redação, mas eu não tô entendendo essa bagunça. Por que Deus prefere você? Por que Ele me daria uma casa e tiraria a do vizinho? Por que você acha que Deus é seu amigão e te dá preferência? Por causa da sua fé? Por causa da sua religião? Você é melhor que o outro em que parte? Não faz mal a ninguém? Nunca matou? Nunca roubou? Não cobiça nada do próximo?

Particularmente, vejo Deus como um amigo. Alguém que preciso conversar, porque sei que minhas palavras mal explicadas são bem traduzidas pelo meu coração. E acredito que seja isso que nos aproxime. Não acho que Ele me dê preferência em coisa alguma, e, às vezes, até reclamo disso. Ele nunca me dá nada que eu peço. MUITO difícil. Mas Ele me dá muitas outras coisas que eu nunca tinha imaginado que precisava. E sou muito agradecida pelo que não sei pedir.

Juntando tudo, cheguei a conclusão que a tão famosa Lei do Retorno funciona de forma completamente diferente do que eu vinha refletindo esses anos todos. Essa lei existe, com toda conspiração do universo. Tudo que você dá, você recebe de volta, mas preste atenção ao detalhe: você só recebe de volta TUDO que você NÃO SABE que está oferecendo.

Finalizo o ano de 2013 com a mais perfeita certeza do que estou dizendo. Muitos casais reclamam sobre a desigualdade do que é dado e recebido. Muita gente não faz com o outro, porque não gostaria que fosse feito com ele mesmo. A teoria é boa, mas vão pegar seu namorado, mesmo que você não pegue o de ninguém. Vão te desejar mal, mesmo que você não deseje a ninguém. Vão te roubar. Vão te machucar. Vão te ofender. Vão qualquer coisa que você nunca tenha feito. Da mesma forma que dar dinheiro/qualquer coisa a quem precisa, não te abre uma caderneta de poupança celestial. Ajudar, ser honesto, humilde, generoso etc., não é investir no seu futuro. Tentar ser uma pessoa melhor a cada dia é maravilhoso, edificante, mas não dá estrelinha no céu.

Na semana de Natal, comprando presentes, escolhi para minhas cunhadas uma sandália de dedo, estilo Havaianas, mas com lacinhos. Achei LINDAS. Quis comprar uma pra mim, mas não dava ($$$$), porque eu tinha outros compromissos. Daí, que ontem fui encontrar uma amiga queriiiiida demais, e ela resolveu me fazer uma surpresa, de uma piada antiga entre nós e me deu um presente. Era uma sandália de lacinhos! Ri demais! Não só pela piada, mas ela nem imaginava que era uma daquela mesmo que eu queria e não deu pra comprar! E foi ela, de tão longe, que trouxe pra mim.

Nada disso se trata de sandálias que dei e recebi. Aliás, você, que é inteligente, sabe disso. Em 2013 eu tive vários exemplos de que a gente não sabe absolutamente nada sobre o coração das pessoas. Nem adianta desejar bem prazinimiga tudo. Não é dando que se recebe. A gente não colhe o que a gente planta. Várias vezes já plantei alface, mas fui lá ajudar a colher laranja. Voltei e minha alface estava toda estragada. QUE PORRA! Você aí da laranja pode não ter se sensibilizado ou não soube ou não tinha mais laranja, whatever. Eu planto tudo de novo, dá um trabalho danado, mas na minha porta vai aparecer o outro lá que plantou qualquer outra coisa e veio me dar porque lá estava sobrando ou só pela gentileza.

2013 não foi um ano perfeito, mas foi um ano bacana. Não saberia dizer o que seria um ano exatamente perfeito, além do fato de poder dar conta de tudo que podemos fazer.

Não sou de reclamar muito com Deus, não, mas tem dia que “Não é possível que o Senhor não esteja vendo isso!”. Daí que Ele deve pensar o mesmo de mim. Ainda bem que entende que é difícil isso de ler em linhas tortas, né? Porque, OLHA. Tem dia que tá puxado.

Que fique bem claro que este post não tem compromisso algum com a verdade. Acredita no que eu digo quem quiser.

Que venha 2014, cheios de coisas (boas!) que eu não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe.

Dezembro, seu lindo

161840581Ah, como adoro dezembro. É o mês da esperança, das férias, da família, do amor. É o mês que traz de volta a sensação de poder recomeçar, corrigindo nossos erros e aguardando novas oportunidades. É o mês que, de repente, somos preenchidos pela necessidade de ser solidários, de perdoar, ou quem sabe, SE perdoar.

A pergunta enigmática é: por que somos arrebatados por toda essa bondade, sensibilidade, apenas nessa época tão comercial do ano? Como uma boa consumista, sou facilmente convencida de que todas as pessoas que amo merecem um presente especial, principalmente eu. A gente gasta rios de dinheiro, inclusive o que não tem, para se sentir mais feliz e em harmonia com o mundo. Um plano friamente calculado.

Mas, cá entre nós, na boa: ainda bem. Ainda bem que existe, pelo menos, uma época do ano que traz nossa crise existencial à tona. O mundo vai continuar o mesmo com ou sem o Natal/Ano Novo, mas não nos permitimos terminar o ano com uma tarefa inacabada. Como terminar o ano sem encontrar aqueles amigos queridos? Ora, tivemos o ano inteiro, por que a pressa agora? Para mim, sinceramente, não importa o porquê. Eu só consigo dar graças a Deus que existe o compromisso inadiável de estar perto de quem a gente ama.

Todavia, fechamos mais um ciclo e abrimos outro. O ano foi ruim? Abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora renovar as forças para tirar as pedras do caminho, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Não foi isso que nos ensinaram? E se o ano foi bom, sim, abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora ser mais feliz! E, em todos os casos, anote o número do meu telefone, porque ser feliz e andar para frente é tudo que desejo em qualquer época do ano.

Ai, como estou Polyana. Aproveitem, porque é só em dezembro.

A tradição nos ensina que Cristo veio ao mundo para nos mostrar como amar ao próximo. Porque, a gente sabe que não é nada fácil, principalmente quando se trata de muitos próximos. Em minha defesa, apesar de não amar tantos próximos, os que amo têm de mim tudo que meu coração pode lhes dar. Ou quase isso.

Que dezembro nos contagie o ano inteiro. Que o amor seja sempre o motivo e renove nossas esperanças.
Um feliz Natal para você, para toda sua família, e todo amor que houver nessa vida para nós.

Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro…

Nos relacionamentos sempre existem um divisor de águas. Digo, para a mulher, sempre vai existir aquele homem que é referência em sua vida, independente do que sobrou dessa relação. Particularmente tenho alguém que é referência TOP para todos os assuntos ruins. E isso nem tem a ver com gostar dele mais do que tudo no universo. Não sei por que motivo, ninguém foi tão prejudicial à minha saúde emocional quanto ele. No entanto, nada mais no mundo parece ser tão perfeito quando o assunto é sexo.

Não sei qual é a fórmula. Não sei por que tudo parece tão harmonioso. Nenhum outro corpo se encaixa tão perfeitamente ao seu. Não sei se é o universo conspirando. Não sei se é karma. Não sei se é intimidade. Não sei se é química… Mas, sempre tenho a sensação que está faltando alguma coisa quando estou com outra pessoa.

Outro dia eu estava meio decepcionada. Um fulaninho que veio aqui. Desde então prometi a mim mesma que nunca mais traria alguém à minha casa, já que não tenho a opção de ir embora. Ele era ótimo, me diverti a beça, mas… Nada mais que um colega divertido. A noite foi longa… No outro dia eu estava com aquela sensação estranha de que tudo foi mais ou menos e que fiz parte do meu pior pesadelo: dormir mal, com um “estranho” que tomou conta da minha cama e da minha coberta. E, porra, não tinha nem o cheiro gostoso. Uó. Vamos virar essa página, por favor.

No entanto, num dia frio, num bom lugar para ler um livro, alguém chamou minha atenção. Aliás, alguém que sempre chamou minha atenção. Alguma coisa nele mexe com os meus sentidos, como se tudo nele a gente tivesse vontade de experimentar. Não é amor, não é amizade, ele não é muito legal e eu não sei nada direito sobre ele. Ele é aquele tipo que a gente quer chegar perto. E era com ele que eu queria estar. Quebrei a minha promessa e o trouxe aqui. Minha casa, meu mundo, minha cama, meu bom lugar para ler um livro e ele. Não lembro o que a gente conversou. Lembro das músicas que a gente ouviu…e lembro que eu queria que ele ficasse. Os sorrisos eram na hora certa. As mãos sabiam sua hora, seu lugar e aonde ir. Eu estava apaixonada. Eu estava apaixonada por mim…por ele, pela música, pelo vinho, pela minha cama que estava maravilhosa, pela graça dos detalhes, pela sutileza de duas pessoas que queriam estar juntas naquele momento. Dormi com preguiça de acordar e sem saber por que eu tinha que levantar. Fica mais? Passa o dia comigo? Por que ele tem que ir?

Os dias passaram e eu o queria de novo. E de novo. E de novo.

Achei esquisito não ter aquela sensação de que algo estava faltando. O comparei com o TOP, e tinha certeza que o TOP me provaria por A+B, que ele sempre foi o maioral e que sou facilmente influenciável por olhares lindos e momentos apaixonantes, que o outro me deu.

Daí que fui encontrar o TOP. Foi tudo TOP. Tudo perfeito. Era ele, gente! Nessas horas eu sempre tenho certeza de que ele é o amor da minha vida e que isso não vai mudar nunca. Só teve UM problema: foi a primeira vez, com ele, que senti que estava faltando alguma coisa. Quero ir embora dormir sozinha.

Quero meus dias frios de volta.

VIDA: PARTE 2

Depois dos 40 a boa notícia: que sociedade, que nada. Não é ela que banca suas ideias, não é ela que enxuga suas lágrimas, não é ela que conhece suas carências. Você passa, finalmente, a ser dona do seu desejo.

Estou há meses tentando descrever como é chegar à segunda parte da vida: os 40 anos. Até que li esse ótimo (supracitado) texto da Martha Medeiros.

Das certezas que adquiri até agora posso dizer que adoro assistir aos Simpsons (e é o que está na TV agora) e milhares de séries americanas. Coca-cola é a melhor bebida do mundo. Os Beatles são a melhor banda do planeta. As Pontes de Madison foi o filme que mais me fez chorar. Woody Allen é meu diretor favorito, mas há sempre algum momento da minha vida que preciso assistir algo do Almodóvar. Gosto de faroeste. Prefiro os vilões, mas quero me casar com um mosqueteiro. Curto rock. Não gosto de cerveja. Não sou ambiciosa. Adoro conforto. Adoro gastar. Adoro ganhar presentes. Não gosto de dormir fora de casa. E como tenho preguiça…

Nada disso vai mudar.

No entanto, o mundo gira e a gente se transforma. Virei mãe, virei escritora, virei professora. Virei dona de casa, virei adulta. Ando cuidando da saúde. Ando me preocupando com a pele, rugas, flacidez, qualidade de vida. Aprendi a gostar de praia e verde. Passei a tomar remédio pra ansiedade, fiquei mais tolerante, mais tranquila, mas não há remédio no mundo que acalme meu coração quando está apaixonado (também achei essa frase brega). Também passei a achar as pessoas mais bestas, mais narcisistas, mais covardes. Por outro lado, fiquei mais sensível às pessoas de bem. Elas existem. Pode ser que eu mude de ideia amanhã.

Problemas da humanidade não me pertencem, só faço parte dela. Todo mundo é egoísta. Antes eu achava que uns eram mais, outros menos. Hoje não vejo mais assim. Acredito que a diferença entre um egoísta e outro é que uns sabem que são, e outros não. Nossos erros são sempre justificáveis, dos outros não. A gente sabe o que faz, os outros não. Toda tartaruga tem que ser um cachorro, quando a gente precisa de atenção.

Sabe que outro dia me chamaram de velha? Não, não foi simbolicamente. E foi com a mais perfeita intenção de agredir. Mas, pensando bem, sempre fui velha, desde (mais ou menos) os 25 anos, quando meus amigos de infância foram sendo substituídos pelos mais novos, sem filhos e não casados. Mas, desta vez, foi o primeiro momento que me senti velha fisicamente. Sad but true.

Sou meio infantil. Não sei em que parte, mas bom humor sempre foi uma característica. As pessoas envelhecem e param de achar graça em qualquer graça. Não sou brincalhona, não faço piada de tudo, mas acho graça do que tem graça, de graça. O mundo deveria ter mais pessoas como eu. Ou como você. Envelhecer é obrigatório, a graça da vida é opcional.

Bem-vindo à minha segunda parte.