A pasta de dentes

 

Preocupada com a saúde bucal da minha filha comprei uma pasta de dentes (importada e caríssima!) toda cheia de frescura, apropriada para sua idade. Daí que ela queria-porque-queria a minha pobrona CloseUp. Claro que nunca lhe deixei usar, porque além de não ser apropriada, o sabor menta era muito mais forte. Até tentei explicar, mas… Ela sempre preferiu chorar e entoar um mantra histérico de “eu querooooooooo” do que me ouvir… então, é NÃO e acabou.

Outro dia, na casa da minha mãe, ela aparece com a escova de dentes cheia de CloseUp. Veio me mostra toda vitoriosa. Eu, já cansada de dizer não, deixei que experimentasse, e lá foi ela feliz da vida usar a pasta que tanto sonhou. Dez segundos depois volta ela toda arrepiada e com um sorrisinho esquisiiiiito. Claro que com todo sarcasmo do mundo perguntei se tava gostoso, mas morri de peninha dos olhos dela cheios de lágrimas parecendo que tinha engolido uma pimenta. Lá fui eu ajudá-la a lavar a boca, e me culpando por deixa-la usar a pasta.

A gente avisa, né?

Filhos, com qualquer idade, sempre acham que sabem de tudo. Mães, com qualquer filho, tem certeza que eles não sabem de nada.

***

Feliz Dia das Mães!

Tá bom, tá bom…

No caminho para escola…

– Mamãe, não quero festa de legume…  (e escola sempre inventa festa de alguma coisa)

– Tá bom, Marina… tá bom…

– Mamãe, não quero tomar banho de piscina…

– Tá bom, Marina…tá bom…

– Mamãe, não quero festa de legume…

– Tá bom, Marina… tá bom…

– Mamãe, não quero tomar banho de piscina…

– Tá bom, Marina…tá bom…

– Mamãe, não quero festa de legume…

– Já sei, Marina… já sei!

– Mamãe, fala direito!

– Ué, mamãe falou direito….

– Não… fala “tá bom, Marina… tá bom”

– Tá bom…

– Mamãe, não quero festa de legume…

– Tá bom, Marina… tá bom…

(…)

Escolhas

Vocês lembram daquele sujeito que reapareceu do nada, me pedindo desculpas pelo que havia feito comigo no passado blá bla bla? Está há uma semana tentando me convencer que quer n-a-m-o-r-a-r com a minha pessoa. Sério. E eu acho isso tão engraçado, porque há 500 anos não me fazem uma proposta dessa.

Tô contando isso aqui pra ver se dá zica, e não ter que fazer escolhas. Sei que tenho tendência à autosabotagem, que nunca acho que é o momento certo pra nada, mas não sei o que acontece lá no meu plano astral.

Tô sozinha faz tempo. Sozinha assim de não querer ninguém por perto, ao mesmo tempo que às vezes sinto falta de companhia para dormir. Não me animo com novas relações (mesmo com as velhas), porque me dá trabalho… Meus horários dependem da minha filha, e meu ânimo no final do dia sempre pede cama e um pouco de silêncio.

Por que eu deixaria voltar para minha vida tão equilibrada alguém que já me desequilibrou no passado? Devo arriscar reviver uma história, só para me sentir viva de novo? Ou devo fazer o que ultimamente tenho feito de melhor: ouvir a razão e dormir em paz?

Ele não me intimida. Não tenho medo de morrer de amores e me deixar levar… Mas detesto fazer péssimas escolhas, e ter poucas oportunidades de trazer o que é valioso para minha vida.

Eu vou cuidar do seu jardim

Hoje eu e minha filha acordamos cedo. No verão não gosto de dias que amanhecem lindos, mas hoje eu não queria que fosse como todos os outros. O céu estava lindo. Lindo mesmo. Pensei em todas as coisas que eu poderia estar fazendo. Sonhei com lugares paradisíacos, mar, muito verde, sombra e água fresca. Marina olhou para mim com cara de “e aí, mamãe? vamos começar o nosso dia?”, e o único almejado verde mais perto de mim eram as árvores de um sítio que fica em frente à janela.

Abri a janela e entrou aquele ventinho fresco da manhã. Peguei uma toalha de mesa, forrei no tapete da sala e pela primeira vez tomamos nosso café da manhã juntas. Biscoitos, doces, pães, frios, Todynho e Coca-cola. Marina achou sensacional o piquenique na sala, assistindo Backyardigans. Eu ainda almejo mar, muito verde, sombra e água fresca, mas não trocaria aquele momento por nada nesse mundo. Tudo tem seu tempo, sua hora certa.

Esta é uma virtude que tenho e reconheço: sei brincar com meus brinquedos. Se ainda não posso lhe dar castelos, posso, pelo menos, fazê-la se sentir rainha.

 

Eu cuidarei do seu jantar… do céu e do mar…e de você e de mim.

 

O caro que sai barato

A mesinha de recepcionista ficava na cozinha cor-de-rosa. A sala de espera tinha sofás e algumas cadeiras, acompanhadas de cestos com revistas. Há 20 anos eu visitava aquele senhor simpático… já nem precisava da minha mãe. O consultório tinha aqueles móveis de boticário, sabe? A mesa dele tinha vidro, e embaixo várias fotos de pessoas felizes. Na parede, além de quadrinhos infantis, um pôster de sua única filha.

Dr. Jofre cuidou de mim (e dos meus irmãos) até ficarmos adultos… Até hoje minha mãe me diz palavras dele, quando estou preocupada com minha filha. Lembro dele sempre sorrindo, sempre amável… nunca mandava minha mãe voltar para casa e esperar 48 horas para febre baixar e ver o que acontece. Nunca colocou culpa na minha mãe por algum deslize e nem falou com ela como se fosse idiota que não sabe o que está dizendo ou não sabe nada de medicina. Ouvia minha mãe com paciência e explicava cada detalhe.

Na sala de espera as mães sempre questionavam a aparência de lá. Há 20 anos, tudo igual. Talvez uma mesinha ou o estofado havia mudado…mas…tudo igual. Porém, na sala de espera, adultos, crianças, bebês…todos pacientes. Ninguém o trocaria por qualquer outro consultório sofisticado.

Eu teria vários exemplos de tudo que vejo por aí hoje. Sabe quando antigamente a gente ia comprar CDs em lojas especializadas e tinha um vendedor que sabia de tudo? Você podia perguntar sobre qualquer música, qualquer álbum, qualquer ano, quem cantou com quem e quando. Hoje a gente entra nas lojas Americanas e ninguém tem a menor idéia de nada. É mais ou menos assim que me sinto ao entrar num hospital. A gente se vira para pagar um bom plano de saúde e tem acesso às instalações maravilhosas, alta tecnologia etc., mas 3 médicos me fizeram voltar para casa, porque apesar da febre, minha filha estava ótima. E ninguém precisa de curso na França para saber que quem está com febre nunca pode estar ótima nem aqui e nem na China.

Saudades do meu pediatra… Saudades da cozinha cor de rosa… E por mais piegas que esta frase possa parecer… saudades dos médicos de verdade.

Criança vê. Criança faz.

 

ps: estava aqui com fone no ouvido enquanto usava o computador, e, inclusive,  assistia esse vídeo. Dei um break e fui à cozinha. Quando voltei, encontrei Marina aqui sentada no meu lugar, olhando para tela, mexendo no mouse aleatoriamente, e com o fone no ouvido.

A hora da velinha

Ontem levei minha filha a uma festinha infantil com a mesma animação dos dias de exame ginecológico. Levo, porque sou uma mãe maravilhosa…porque só assim para aturar crianças gritando e/ou chorando, música alta, animador que se sente estrela, e se for com a parentada, ainda tem o fim de festa dos pais bêbados que não se deram conta que são exemplos pros seus filhos.

Gente, festa de criança não tem funk. Gente, festa de criança não tem que ter música ensurdecedora. Gente, em festa de criança o parabéns é ceeeeedooooo. Gente, festa de criança não tem bebida alcoólica. Gente, festa de criança não é para adulto se divertir, porque se for festa de adulto a criança se sente um peixe fora d’água, odeia tudo e inferniza o adulto com choro e querendo ir embora. Festa boa é festa que a criança fique entretida com a animação, enquanto os pais, que são meros acompanhantes, podem comer, beber e bater papo tranqüilamente enquanto seus filhos se divertem.

As festas que Marina mais se divertiu foram aquelas que os animadores tinham brincadeiras para todos os tipos de criança, ou seja, as pequenininhas e as maiores; e que também cantaram o parabéns cedo, não torturando os pais e nem crianças que dormem cedo. As piores foram as que tocaram funks. Crianças imitam adultos, gente. Se elas aprenderam a dançar foi por incentivo dos pais, sim. Já ss criancinhas choram horrores. E quem é o infeliz que tem a idéia de dar estalinho e apito pras crianças durante a festa?! Gente, é um pesadelo!

Mas isso tudo é para dizer que a festa de ontem, pela primeira vez ever, foi tudo ótimo. Eu nunca me senti tão bem numa festa infantil. Como o casal era evangélico, fui esperando encontrar um tema tipo “A arca de Noé” e pastores com bíblias debaixo do braço. Olha que visão preconceituosa. Logo eu, que gosto de igrejas evangélicas. Mas o tema foi o Fundo do Mar…a decoração estava linda e tudo muito organizado.

Ainda não fiz uma festona para Marina. Não uma do jeito que eu gostaria… Mas no dia que acontecer, agora eu já tenho o telefone de quem faz. Amém.