Com que livro?

Outro dia fui à livraria com Marina. Não é um habito, e para falar a verdade, não sei o porquê. Geralmente leio por indicação ou por algum tipo de curiosidade. Mas, como escolher livros infantis? Antes, procurei resenhas pela internet, perguntei a alguns amigos, mas como fazer para entrar numa livraria e não ser arrebatada por aquelas capas lindas da Disney ou as milhares de versões dos irmãos Grimm?

Ano passado a escola pediu um livro para o “Papai Noel” dar de presente a Marina. Comprei um lindo livro de capa dura do Ursinho Pooh, com historinhas fofas, educativas e ilustrações impecáveis. Ela adorou, claro. Daí que este ano resolvi leva-la à livraria para escolher. Ela queria a Barbie, a Branca de Neve, Hello Kitty e aqueles com brinquedinhos. Eu, com meus “50 tons” debaixo do braço, talvez fosse meio hipócrita tentar afastar minha filha de toda essa popularidade enlatada que vem de fora. BUT, a grande diferença entre mim e aquela mocinha que me acompanhava é que EU sei o que estou lendo, e ela não.

Entrar numa livraria com criança é o mesmo que entrar numa locadora e procurar filme nacional. Enquanto ela não desgarrava da Barbie & Cia, fui para seção dos nossos autores. Antes, acho essencial que fique BEM CLARO que acho super boring o discurso “viva cultura nacional!”. TODA leitura é válida, porque com o tempo a gente quer mais, fica mais exigente e crítico. O “problema” dos autores de língua portuguesa é que eles são maravilhosos. Não é para qualquer leitor. Tem que ter vocabulário rico, sensibilidade à criatividade, ler nas entrelinhas. Além das raras exceções, não dá para cair de paraquedas. A gente precisa antes gostar da Branca de Neve, ler quadrinhos (sempre), Capricho, Júlia, Sabrina, Bianca, horóscopo, tudo. O bom e o ruim. No entanto, cá entre nós, já não consumo o bastante? Minha filha não quer mochila, toalhinha, sandália, bolsinha, lanchinho, fitinha, filminho, não sei mais o quê, da Emília ou da Narizinho. No máximo a Mônica é legal, mas o high socity é a Barbie, Monster High, Polly, e eu quero mais é Coca-cola. Então, poxa, vamos dar um break?

Não precisa de curso na França para ler um livro infantil nacional. Se você procurar, há histórias fofas e ricamente ilustradas. A criança julga, sim, o livro pela capa. Infelizmente ela (no meu caso a experiência é com meninA) não vai trocar o brilho gloss das princesas e fadas pelo Saci Pererê ou qualquer personagem do nosso folclore. Mas ela vai se interessar por todo colorido que uma história tem para dar. Não adianta eu comprar uma bananeira no lugar de um pinheiro no Natal, e nem quero. A leitura tem que ser é prazerosa. Devo abrir outros caminhos para ela, orientá-la por outras direções, ter outras perspectivas, mas para ela querer, se animar, ela tem que se interessar, achar atraente.

No final das contas escolhemos “Histórias de bruxa boa”, da Lya Luft. Na verdade ela ACEITOU, já que fora contrariada… queria era mesmice. Contudo, em casa, ela ficou entusiasmada com a novidade e ficava ansiosa a cada historinha. Adorou as bruxas más e rabugentas: Cara de Janela e Cara de Panela. E toda hora me pedia para reler.

Lya Luft

Não acertei ainda comprar livros pra minha sobrinha de 9 anos. Ano passado lhe dei “O Pequeno Príncipe”, achando que ela se encantaria…afinal, é um clássico. Mas, ela nem tchum. O livro está, inclusive, aqui em casa. Nem levou. Houve outras tentativas que também fracassaram. Esse vai ser outro capitulo que vou ter que estudar.

Ser ou não ser…

Da última vez que fiquei sozinha em casa me senti gente grande. Fui ao boteco da esquina e comprei um engradado de Ice. Calorzão, casa só para mim, eu, meus pensamentos e Ice. Combinação perfeita para relaxar e deixar a imaginação fluir. Tinha esperança de criar algo sensacional, refletir sobre a vida, existência, paz, amor…algo meio Bob Marley com 5% de álcool.

O resultado disso foi que não escrevi UMA linha, e achei que todas as pessoas do mundo estariam morrendo de vontade de falar comigo ao celular. Não lembro de alguém ter atendido. Talvez porque era madrugada. Talvez porque era Carnaval. Ou talvez porque não queriam mesmo…afinal, o que os ex teriam que ouvir de mim naquele momento tão…tão…inusitado – ou seria inconveniente?

Também vomitei o quarto e o banheiro. Oh, céus. Fiquei deitada na cama me sentindo uma lombriga bêbada e fedida. Achei que morreria sozinha. Pouco digno para uma mãe de família morrer, porque bebeu sozinha, e PIOR: ICE. Aliás, humilhante. Aliás, adolescente.

Hoje estou sozinha em casa. Ao contrário da última vez, permaneço uma mãe exemplar, que passou o dia e a noite inteira deitadinha assistindo aos filmes debaixo de um aconchegante edredom. A chuvinha lá fora conforta ainda mais o cenário. Em momento algum pensei em ser gente grande de novo, digo, adolescente. Pensei em me olhar no espelho para ver se me animo ou reconheço que devo voltar a me cuidar. Conforto é bom, no entanto, se sentir bonita também faz bem. Mas, cá entre nós, estou com preguiça de olhar…sei que vai dar um trabalho danado, e aqui tá tãããão quentinho.

Vou lá ler um pouco mais, para pensar um pouco mais, para ver se existo um pouco mais.

Dia 24: A figura que represente algum presente que você gostaria de ganhar

Anotem aí: ADORO canecas.

Não sei como não tenho uma coleção.

Ano passado a escola de Marina me “deu” uma de presente. A gente colocava bebida quente, e aparecia a foto da minha filha sorridente. LINDA demais (a caneca e a filha)! Era meu xodó, só minha, só eu podia. Dia desses Marina quebrou. (suspiros)

Acabou a história.

Por você

Há algo no mundo que não façamos por amor? Bem, se minha filha for um padrão, posso dizer que não há nada no mundo que eu não faça por ela. A não ser que eu esteja com preguiça, claro. Amo minha filha, mas nem a pau levanto às três da manhã para pegar um copo d’água, só porque ela cismou que está com sede.

Em minha defesa preciso dizer que já levantei às três da manhã, morrendo de preguiça, só para procurar uma chupeta. Ok? E jogo um pouquinho na cara sobre os nove meses que carreguei na barriga, só pra ela se sentir um pouquinho ingrata. Acho que foi Freud que disse isso, coisa assim que é bom traumatizar a criança. Tá, mentira, mas que que tem, gente?

Agora, cá entre nós: de todos os atos de amor, o mais radical, o que dá barato mesmo é fazer dívidas. E mais: que não podemos pagar. Adrenalina total. Não consigo pensar em algo mais emocionante. Inclusive já fiquei sem almoçar na rua para poder comprar um óculos escuros pra ela. PIOR que ela nem gostou… mas serviu para colocar na lista daquelas coisas que a gente faz por amor. E pra listinha de ingratidão também, né? Nove meses carreguei, e nem gostou do presente.

Com meus irmão é igual, mas diferente (hein?). Nãããããão, esse copo é meu! Nãããããao, não vai se acomodando! Devolve meus CDs! Deixa meu computador aí! Tira a mão! Que mané dinheiro! E não dou água nem se o litro estiver do meu lado. Rá. Tá bom, vou sim…sou sua empregada agora. Levanta e pega! E até hoje brigamos pelo último copo de Coca na casa dos meus pais. Aliás, em qualquer lugar. Com amor, muito amor.

Será que imprestabilidade e um pouquinho (só um pouquinho vá!) de falta de educação são as maiores provas de amor do mundo? Sim, porque se um estranho me pedir água, encho o copo (sorrindo e tudo) na mesma hora! Chego me impressiono. Com minha falsidade, claro.

Dia 23: Uma foto de alguma loucura de amor que você faria

Tá…eu daria minha Coca-cola, vai.

Vazia, claro.

Porra, é prova de amor…a pessoa não tá morrendo.

I have a vision…

TELEVISION!

Assisto televisão. ASSISTO. Adoro a Globo. Sou viciada em séries americanas, Coca-cola, acho que OMO lava mais branco, que Bombril tem 1001 utilidades, e sempre tenho certeza de que estou precisando de absolutamente tudo que me oferecem… Isso, porque sou obediente e consumo todo que “eles” mandam gentilmente.

Com o BBB, sonho em ganhar um FIAT. Meu sonho também era ganhar um roupão do líder para poder acordar, usá-lo e tomar café de óculos escuros. O roupão até ganhei, mas achei meio desconfortável (e ridículo) preparar o café da manhã de Marina usando óculos escuros, sem câmera alguma me filmando. E, claro, já ensaiei meu discurso de milionária e momentos intrigantes no confessionário.

Tenho também o hábito inusitado de interagir com quem está ali para conversar comigo. Converso intimamente com William Bonner, que me conta as notícias do Brasil e do mundo. Sério? Ah tá de sacanagem? Hahahaha até parece! Oh, coitadinhos… É mesmo? Tá custando isso tudo? Íntimos já.

Porém, de toda reciprocidade habitual, hoje me vi numa situação meio bizarra: minha filha estava brincando e conversando comigo. Eu a ignorava solenemente enquanto eu conversava com alguém do PDT durante o horário político. Em algum momento Marina se irritou e se sentiu ofendida com alguma frase que falei. Tentei explicar, aos berros, para ver se ela entendia, afinal estava ofendidíssima: MARINA, NÃO ESTOU FALANDO COM VOCÊÊÊ! TÔ FALANDO COM A TE-LE-VI-SÃO!!”. Ah, bom.

Dia 18: Uma foto de um vício

Tem jeito não. Melhor que TV, só Coca-cola…pena que ela não conversa comigo.

Família

Às vezes tenho dúvidas de onde saiu, mas, apesar das controvérsias, família é coisa de Deus mesmo. Só Ele pode tocar nossos corações e nos encher de amor, porque OLHA.

Família é coisa abusada. Acha que pode se meter na sua vida, fala o que quer na sua cara, pega suas coisas (inclusive na geladeira!) sem pedir… e tudo isso seria esquisito, se eu não fizesse o mesmo. Não consigo ficar dois dias longe, mas é enlouquecedor ficar dez minutos com todos eles no mesmo recinto. Cada um fala um assunto diferente AO MESMO TEMPO.

A sua é assim também? Acho que família é tudo igual. Só muda o psicanalista.

Eu sou a mais “cheia de merdinha” ou a “chata pra caralho”, mas acho injusto ganhar esse título sozinha. No Natal deste ano (digo, do ano passado), prometemos não usar adjetivos repetitivos (como nos anos anteriores) para descrever nosso amigo-oculto antes de revela-lo. Faríamos diferente: deveríamos revelar sua característica marcante, porém as palavras “chato”, “maluco” e “irritante” estavam proibidas. Até que foi engraçado. Marina foi a primeira, e disse: “A minha amiga-oculta é a mais linda dessa família e a que me ama mais que tudo no mundo”. Muito fácil: eu, claro. Comprei meu presente, lhe ensinei o discurso, e como uma ótima mãe, não ensinei mentira alguma.

Temos problemas, como em todas as famílias. Não pretendo fazer discurso algum. Temos nossos traumas, nossas divergências, mas se família às vezes parece nosso pior pesadelo, é acima de tudo, a nossa casa. Se tem hora que dá vontade de mandar todo mundo se #@#%$, não há nada melhor no mundo do que a nossa casa, mesmo que não seja necessariamente na mesma casa.

Dia 10: Uma foto antiga da sua família

Nostalgia

Dia 6: Uma foto que te dá saudade

Para quem hoje assiste “A turma do Didi” (ainda existe?), nem imagina a frustração de quem adorava Os Trapalhões. Primeiro, porque eles eram tudo que a gente tinha em relação à TV e cinema. E para TODAS as idades. Eu nunca iria imaginar que “Os Trapalhões na guerra dos planetas” era uma sátira à “Guerra nas estrelas”. Aliás, o que era “Guerra nas estrelas”? Não lembro de ter acesso ao mundo exterior. Não lembro muito da minha infância, mas lembro da ansiedade de assisti-los na TV, e mais ainda no cinema. Minha mãe ficava tão ansiosa quanto eu. Eles eram, ao mesmo tempo, desde nossa Xuxa até nossos George Lucas ou Steven Spielberg da vida.

Uma pena ter que lembrar do passado como se fosse o melhor de todos os tempos. Culturalmente tenho a impressão de que cresci em tempos melhores que minha filha. Fico lhe imaginando assistindo “Sítio do Pica-pau Amarelo” ou brincando de roda. Marina NÃO SABE cantar “Atirei o pau no gato”, gente. Um clássico! Bem, até sabe arranhar um pouquinho, porque ouviu não-sei-onde com não-sei-quem, que era amigo de não-faço-ideia. Mas saber, sabeeeeeeer, não sabe.

No entanto, mesmo um pouco nostálgica (e um pouquinho frustrada), devo reconhecer que com quatro anos minha filha tem acesso a muito mais informações do que eu quando tinha quinze. Complicado é conseguir manter um filtro que jogue fora o que não presta. Fico orgulhosa quando lhe ouço cantarolando algo que costumo ouvir, e morro de desgosto quando canta (AND dança!) pérolas como “Ai, se eu te pego…”. E penso: “quem me dera lhe ensinar só o que pode”. Mas, ainda bem que não posso! Ainda bem que existe um mundo muito além de mim e do que imagino.

Sim, sinto falta dos Trapalhões, mas vamos deixar isso para minha psicóloga ou para trocar ideias na próxima palestra sobre “a influência do passado nos dias de hoje”? Porque, sentir falta do passado… ahhh, isso eu não sinto não, senhora. Se minha filha quer cantar “Ai, se eu te pego”, que cante, mas que saiba a diferença/tenha noção do que é bom ou ruim. Não é para isso que estou aqui? Assistir aos Trapalhões era maravilhoso, mas passado só é bom pra gente saber quem a gente é. O lugar dele é no banco de trás.

Quem tem barco a motor, não insiste em usar os remos. Né, Renato?

Retrospectando

Dia 2: Uma foto do seu momento preferido da História (da sua ou em geral)

Calma, vou explicar. Não tenho nada contra os EUA (além do óbvio), não me diverti com a cena, e isso nada tem a ver com política. Mas, gente… ninguém me contou, não. EU VI, AO VIVO, NO PLANTÃO DA GLOBO (ainda ouço a musiquinha), as duas torres caindo. Não, não foi “playback”. AO VIVO. EU VI o segundo avião porrando (desculpa, mas hoje tô assim só contando fofoca) na segunda torre e os dois prédios caindo! Vocês estão entendendo? É praticamente estar às margens do Ipiranga!

As discussões além de presenciar (via satélite) um momento histórico, não vem ao caso agora. (ok?)

Apesar de não serem tempos tão modernos, alguns fatos históricos fizeram parte da minha vida. Quando comecei a estudar História, decorei que nosso atual presidente era João Batista de Oliveira Figueiredo. Lembro da minha mãe me contando sobre a morte de Elis Regina, como se eu me importasse ou tivesse ideia de quem era. Censura, Diretas Já, Tancredo Neves, Sarney, Collor… Até a vitória histórica de Lula. Assisti ao seu discurso pela BBC de Londres, AO VIVO, com o coração cheio de orgulho. E, não, não quero discutir política.

Fui a vários shows legais, mas histórico mesmo foi o primeiro do U2 no Brasil em 1997. Hoje em dia não tenho o mesmo pique, mas sabe que tenho vontade de ir a um show do Roberto Carlos? Juro. Eu e minha bengala.

Quanto a minha vida pessoal, poderia destacar vários momentos que marcaram. A ida ao Jô Soares foi uma delas. Inacreditável. Lançar um livro, conhecer um monte de gente famosa, mudar da casa dos meus pais para ter minha própria vida… Mas, claro, de tantas coisas inacreditáveis, NADA vai superar o dia do nascimento da minha filha. Bem, houve o momento que descobri que estava grávida, no banheiro de uma amiga, com um teste de farmácia. Mas esse não vou classificar como momento histórico, tá? Vai ficar no topo da lista SUSTO-PICA-DAS-GALÁXIAS.

Até amanhã.

Declaração de amor

Tatuagem

– Mãe, sua tatuagem é muito linda, sabia?

– Sabia… Sabe por quê? Porque tem o “M” de “Marina”!

– Quando eu crescer vou fazer uma tatuagem igual a sua…

– E vai ficar mais linda que a tatuagem da mamãe, sabia?

– Sabia… Sabe por quê? Porque vai ter o “D” de mamãe.

:´)

Vamulá

Hoje sou uma pessoa muito mais legal do que já fui. Pena que isso não dá dinheiro. Já fui mais inteligente, ou melhor, mais bem informada, mais culta, e, por incrível que pareça, mais sociável. Não, não. Mais sociável não, estou mentindo. Tô muito pior, só que hoje coloco culpa na minha filha.

Não, não quero estudar, tenho que arrumar a casa, fazer comida, Marina quer minha atenção o tempo todo. Ah não, não vou sair não… Minha mãe reclama quando tem que ficar com minha filha. Ah não… não vou sair, porque é longe, tem que pegar ônibus, é tarde, é cedo, tá sol, tá chovendo, tô sem dinheiro. E daí que estou há tanto tempo para acabar de ler um livro? Só posso ler na hora de dormir, e na hora de dormir, eu quero dormir, ora. Coisas da vida.

Mas, hoje sou mais legal. Tenho um gatinho, minha geladeira tem fotos da família, às vezes (às vezes!) digo para as pessoas que gosto delas ou que estou com saudades. Não gosto de todo mundo todo dia não, mas já gosto com mais facilidade.

Verdade isso. Acho muita gente chata, coisa e tal… mas gosto delas. Digo, não assim como Polyanna… As pessoas me dão um pouco de preguiça, mas essa aparente hostilidade é apenas proteção. Quem me conhece (geralmente) gosta de mim pra caramba e me acha um docinho. Ou será quem NÃO me conhece? Tô ficando boa nisso de perguntas intrigantes.

Meu irmão hoje disse que ia me levar para sair. “Se arruma, faz o cabelo, vou passar aí pra te buscar, porque hoje você vai pra noite!”. Uhh-hhuuul! É isso aí, vamu lá, animação! Tomei um banho… e? E? Vou não. Ah, minhas unhas estão feias, meu cabelo tá sem jeito, tô com frio, quero deitar, ver filme e dormir. Mandei um torpedo pra Rata: “Anima de levar as crianças ao Zoológico amanhã?”.

Tem jeito não. Sou mais legal, tenho gatinho, falo com as plantinhas, e até queria ter um cachorrinho, né? Chamo minhas amigas de “frô”, de fofura…digo que estou com saudades. A vida é bela, tem que ser festejada, curtida, vivida intensamente, coisa e tal, mas…vamos ver um filminho?

Bandeira branca

Eu passei minha gravidez inteira apaixonada por um homem que não tinha absolutamente nada a ver com o pai da minha filha.

Um dia me senti completamente abandonada e aceitei o convite de um amigo para bater papo e enfiar o pé na jaca. No dia seguinte eu estava com a maior ressaca EVER, dessas que a gente não consegue nem levantar porque a cabeça não para de girar. Um mês depois eu estava contando para esse meu amigo que estava grávida dele, e escolhendo palavras para contar para meu “apaixonado” que eu estava grávida de outro. O mundo caiu na minha cabeça, porque além de tudo eu estava desempregada e sem plano de saúde. Fui sozinha fazer a ultra, para confirmar o que todos os exames já haviam mostrado. Minha filhinha estava lá, parecendo um caroço de feijão, com o coração batendo. Foi uma mistura entre o som mais lindo que já ouvi na vida com o mais amedrontador. Eu chorei e pensei “Meu Deus, o que vou fazer agora?”.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Minha gravidez foi ótima, eu fiquei linda, Marina ganhou tantos presentes que só precisei complementar o enxoval. Minhas amigas me apoiaram muito, além da minha família que não disse, em momento algum, palavras que me recriminassem. Hoje eu tenho um emprego estável, temos plano de saúde… De um quarto na casa dos meus pais mudamos para uma casa. Sou uma típica dona de casa suburbana que adora pendurar fotos da família na geladeira e enfeitar a casa com vasinhos de planta. Marina chega da escola e já tem janta pronta, mas antes vai direto para o banho, para depoooooois escovar os dentes e dormir. No meio dessa vida normal ganhei uma psiquiatra de quebra…mas, quem é que não precisa?

Meus amores ficaram espalhados por aí. Fiquei sem vida afetiva durante muito tempo. Até achei que tive uma, quando eu e o pai dela não tínhamos nada para fazer. Tô aqui, não to fazendo nada, nem você também. Sabe? Bem por aí. O outro, lá do começo da história, foi embora. Casou, mudou e não deixou recado. Literalmente.

Minhas histórias de amor são sempre assim meio dantescas. Um dia estou no céu, e outro no inferno. Um dia tenho tudo, noutro, nada. Todos perturbados, carentes, opressores, que amam muito, que sentem muito, que vêem em mim tudo que eles precisam. Talvez eu também seja perturbada, carente, opressora, que ama, sente muito e vê neles tudo que eu preciso. Daí que uma hora essa bomba explode. Só que agora eu estou aqui na janela agitando uma bandeirinha branca… Alguém entende isso? Entenda.