Para não dizer que não falei de cores…

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É difícil não gostar de um homem que não apenas nota as cores, mas fala delas.

A menina que roubava livros – Markus Zusac

 

 

E quando a gente menos espera, a mente, os olhos e o coração estão deliciosamente coloridos…

Triste é quando eles levam todas as cores embora…

Até o preto e branco.

 

O corpo e a mente

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O corpo e a mente
Têm biografias separadas,
cada uma sua memória própria
Seu próprio jogo de charadas.
Meu corpo tem lembranças
– cheiros, tiques, mudanças –
que a mente não registrou
e o corpo não tem marcas
de metade do que a mente já passou.
(…)
Cada um tem um passado
do qual o outro não tem pista
(como um bilhete amassado)
e nem o Mahabharata
explica uma mente anarquista
num corpo socialdemocrata.
Compartilham bioplasmas
e o gosto por certas atrizes,
mas não têm os mesmos fantasmas
nem as mesmas cicatrizes.
Das duas, uma, gente:
ou toda mente é de outro corpo
– ou todo corpo mente.
 
Luís Fernando Veríssimo.

 

(anônimo)

máscara

Eu vou lhe contar que você não me conhece.
Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência que eu sou e a mentira da aparência que você é, porque eu não sou meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja a mim.
Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste.

 

 

ps: não sei quem é o autor, mas Maria Bethania recita.