Ética

Há alguns anos fiquei apaixonada por um rapazinho. Essas paixonites que a gente fala o tempo todo e sempre tem aquela amiga que a gente usa para desabafar. Pois é, essa mesma amiga que me ouvia, e aparentemente torcia, acabou ficando com meu amado numa festa que não pude ir. As outras amigas vieram me consolar, pôxa, que chato, que situação, você supera. Eu e ela continuamos (quase) na mesma. Fui absolutamente sensata, afinal de contas eles eram solteiros, e livres.

Tempos depois ficamos amigos: eu e ele. Afinal, não havia motivos para me afastar da minha (quase) melhor amiga, então nossa convivência (e intimidade) foram inevitáveis. Um dia houve outra festa. Todos foram, menos eu. Menos ele. Descobri quando o interfone da minha casa tocou e era ele querendo conversar. Confessou que sabia que eu gostava dele na época que assumiu o namoro com a minha amiga, mas que havia se arrependido da escolha.

O foco da questão não é minha (suposta) burrice ou a (suposta) canalhice dele. Eu não estava mais apaixonada ao ponto de querê-lo para mim. Também não me aproveitei da liberdade que tínhamos para tentar uma aproximação. Mas ele era extremamente atraente (uma delícia!), estava me querendo, e eu não tive nem 1% de remorso por ter passado aquela noite com ele.

Por quê?

Porque me senti na liberdade de seguir meus instintos e não me privar dos meus desejos. A partir do momento que ela não teve ética, ela rompeu qualquer compromisso ético recíproco. Simples assim. Passa a régua.

Muitas pessoas ficaram contra mim. Ora, passar a noite com o namorado da amiga? Isso não se faz, eles estão namorando. Mas nós éramos amigas, remember?

Que cobre DELE, já que o compromisso é com ele. O compromisso que ela tinha comigo ela rompeu lá trás… Sinceramente eu não tenho nada a ver com isso. Não mesmo.

Museu de novidades

Queria me apaixonar, sabe? É… sentir o coração bater mais forte, dar aquele sorriso bobo… sabe como? Todo mundo sabe. Mas, o engraçado (ou não) é que eu, em toda minha vida, estive apaixonada.

Algum chato agora me diria que preciso me apaixonar por mim mesma ou pela vida e por tudo que me cerca, e eu hipocritamente diria: nossa, você tem razão. (como que não pensei nisso antes?)

A necessidade de me apaixonar fez com que eu criasse novas paixões o tempo todo. Qualquer um que soubesse entender uma piadinha inteligente era um forte candidato à minha criação. Mesmo que não entendesse as seguintes.

Pensei nas minhas pretensões para 2010. Pensei em pedir a Papai Noel uma nova paixão, sem que eu precisasse ficar inventando que seria bom para mim. Mas, Papai Noel também não é confiável, né? Daí que decidi que seria uma meta, que faria parte da listinha – que não fiz − de ano novo/vida nova. Mas, isso de listinha aprendi com o mesmo chato que citei ali em cima. Então que PapaiNoel-listinha2010-my-ass.

Tenho aqui resquícios de sentimentos antigos, que nem sei direito para que servem, a não ser pegar poeira e ocupar espaço. O coração não bate mais forte e o sorriso é de piada velha. Triste, não?

Não é o que não pode ser

Nós não somos o que somos. Somos o que podemos ser todos os dias. Lutamos contra nossa falta de paciência, nossa sinceridade exagerada ou como nos adequamos às pessoas. Seu vocabulário no trabalho não é o mesmo que você tem em casa que não é o mesmo que você tem com os amigos. Então, que língua você fala? Não posso dar uma porrada em alguém, quando me faz de idiota, quando me machuca. Não dá para dizer o que sente para todo mundo, por mais nobre, ou não, que este sentimento pareça. Dizer que ama nem sempre é libertador. Todos os dias lutamos contra sentimentos bons e ruins, porque sempre são equivocadamente direcionados.

Então eu pergunto: você pode ser quem você é ou você é o que pode ser?

Tem, mas acabou

Como é desgastante quando as coisas não funcionam do jeito que a gente quer… Como é desgastante! Como aquela receita que você conseguiu, comprou os ingredientes, acordou toda animada, ligou o som, seguiu tudo direitinho, não errou o tempo, o tempero, nada…e no final o seu frango ficou com gosto de rã.

Saco.