Por que não sou a mulher da sua vida

Primeiro porque provavelmente eu seja louca – o que até acredito que seja verdade.

Não vou ficar aqui me superestimando dizendo que sou linda, inteligente, independente, leio, escrevo, tenho gosto refinado, enquanto você provavelmente só pensa e estima coisas que não interessam, sem o menor valor intelectual ou tem a mente tão proveitosa quanto propagandas trash da madrugada. Porém, para seu consolo, todo esse discurso, meu caro, é pura frustração, ou, em outras palavras: qualquer outra coisa que não seja EU na sua mente ou na sua vida é resto, porque, na minha cabeça (louca, diga-se de passagem), eu deveria ser tudo que te completa. Tudo que você poderia amar e não consegue viver sem, porque sou tudo de maravilhoso que a vida poderia te oferecer.

Até sou, mas… Você acredita? Se você não acredita, meu filho, o problema é exclusivamente meu, porque é de você que eu gosto. Não adianta eu tentar me convencer o quanto você é ignorante, ou melhor dizendo, burro, em não perceber que sou a mulher da sua vida. Não adianta eu ficar aqui tentando enaltecer o meu ego, minha alto-estima, me achando o último biscoito do pacote, tentando me consolar dizendo que estou acima de toda sua mortalidade, se no final do dia eu dou aquela choradinha, sem ninguém i-m-a-g-i-n-a-r (claro, afinal sou superior a tudo isso), porque, ora veja só, sinto sua falta.

A verdade verdadeira é que tenho, sim, todas qualidades mutantes (sou loira, inteligente, professora, escritora, mãe, dona de casa AND gostosa – tá, confesso que me falta um LASER), que permite que eu seja feliz, mesmo com aquela choradinha que ninguém imagina, mesmo não conseguindo ser a mulher da sua vida. E você tem, sim, todas suas qualidades apaixonantes, que são maiores que seus defeitos, mas… disso não vou falar, por dois motivos óbvios: primeiro, que o texto é meu e eu falo de você do jeito que eu quiser; segundo, que provavelmente vou querer te ligar depois.

Pois então… É assim que termina nossa história: eu, uma mulher que não é a mulher da sua vida. Por quê? Porque não. Simples. Ponto final. Sem mais divagações ou busca de respostas que me consolem. Claaaaro que não me conformo. Você sabe que não sou tão esclarecida assim o tempo todo e que adoro te mandar pro inferno. No entanto, agora é o momento de tentar entender o que pode dar certo. O que, no fundo você também sabe, não é o nosso caso.

Gente careta e covarde

careta e covarde

Olha, não sou muito de me preocupar com os problemas do mundo, mas em minha defesa alego que não é insensibilidade. Não gosto (e nem me acostumei) a olhar pessoas dormindo na rua, pedindo esmolas ou contando qualquer história triste para que eu possa ajudar com, pelo menos, alguns centavos. Não gosto, porque não posso ajudar essas pessoas, não posso resolver suas vidas e não quero me sentir culpada por isso.

Às vezes dou esmolas, porque por algum motivo aquela pessoa me sensibilizou. Não fico pensando se está me enganando, que as mães usam seus filhos para conseguir dinheiro, ou pra gastar em cachaça e tudo mais. Não gosto de ser incomodada naquelas viagens de ônibus, com pessoas vendendo não sei o quê e contando uma história triste. Na verdade eu nem ouvi nada do que ela disse, mas percebo quando ela tá ali trabalhando com honestidade. Se é verdade ou não, não me importa. Aconteceu de ter me sensibilizado e pronto.

Dia desses estávamos eu e uns amigos, e chegou uma pessoa que se dizia aidética, vendendo umas canetinhas. Nem contou história triste, nem ficou se fazendo de coitada… parecia meio drogada, mas disse que se a gente pudesse ajudar, que seria uma grande ajuda. Naquele dia eu realmente não tinha nenhum trocadinho, mas tinha algumas moedas, e o que eu tinha eu dei. Não me achei nobre, nem fiquei tão sensibilizada assim, mas vai lá, que Deus te abençoe.

Um amigo ficou questionando, dizendo que não dá dinheiro, que esses aidéticos tem tudo de graça, que o governo paga tudo, que podem trabalhar, blá, blá, blá. Eu não discuto essas coisas. Ele até pode estar certo, mas sabe o que eu acho disso tudo? Sabe qual a diferença desse pessoal que pede esmolas, que vende canetinhas, que incomodam a viagem no ônibus… sabe qual a diferença deles pra gente? Só a posição social, porque TODO MUNDO nessa vida precisa de um favor. E é isso que essas pessoas fazem: te pedem um favor, o de ajudar. Sabe quando você usa frases como: “Pôxa, dá pra você quebrar um galhão pra mim?” ou “Caramba, tô precisando de um favorzão seu…”. Sabe?

Ainda bem que você tem família. Ainda bem que você tem amigos que podem te ajudar. Ainda bem que o favor que você precisa dos outros não é para sobreviver. Às vezes até é. Às vezes você até tem que contar uma história triste ou às vezes é algo que você precisa/quer muito ou você simplesmente quer muito sorrir naquele dia, não importa. A diferença está em quem está pedindo, e, principalmente, em quem está ouvindo.

Longe de mim querer salvar a humanidade. Não tenho dinheiro nem pra mim, moço. Mas, do meu jeito, também preciso das pessoas. Bom senso, solidariedade, sensibilidade, humanidade, piedade… Não importa o nome que você dá às suas ações ou a quem. Só não vale ser tão careta e covarde.

O cachorrinho

Noite passada fui dormir com vontade de ter um cachorrinho. Apesar de várias interpretações que podemos dar a essa frase, é sério: um cachorrinho de verdade. Essa informação me desmoraliza. Lembro que a única vez que fui tomada por este sentimento foi quando eu estava grávida. Não, gente…não estou grávida. É SÉRIO.

Resolvi pedir de presente ao meu irmão, já que não compro um cachorro nem morta. Tentei sensibilizá-lo com o papo de que amor não tem preço, coisa e tal… mas, acho que compartilhamos o mesmo pensamento mórbido em relação à compra de bichinhos. Daí que tô quase desistindo.

Na verdade acho que estou tentando me dar ao luxo de querer algo que não tenha a menor utilidade.

Quando estava na faculdade entrei meio que numa crise existencial, porque não conseguia me ver saindo da posição de aluna para ser professora. E agora estou eu aqui saindo do conforto de ser apenas filha para ser mãe e dona de casa. É tão mais confortável ser só aluna ou só filha… Pois é, isso faz de mim uma adulta com complexo de menina mimadinha, em plena crise de abstinência.

Dá para alguém me mimar um pouquinho?

Ô, Manhêêêêêê… posso ter um cachorrinho?

Não se admire se um dia um beija-flor invadir…

beija-flor

Hoje eu abri a porta e um beija-flor entrou em casa. Ficou voando, voando…e eu admirando aquela cena inédita, rindo, achando lindo um beija-flor voando por dentro da minha casa.

De repente meu coração apertou, e achei que ele havia me mandado um beijo, para matar o desejo dessa saudade sem fim. Então resolvi ligar, para dizer que estou aqui, que não acho a menor graça desse meu eu-sem-você, que também tenho saudade e que uma hora tudo vai ficar bem.

Daí que hoje é terça-feira, horário comercial e as pessoas têm mais o que fazer e ocupar a mente. Isso de “beija-flor invadir a porta da sua casa” faz parte do meu coração poético, que acredita no amor sem palavras, idealizado,  em sinais do cosmos… essas coisas, sabe? Mas, meu relógio diz que hoje é terça-feira demais, normal demais, real demais.

Não liguei.

Acho que to ouvindo muito Fábio Jr.

Ou minha mente anda muito vazia. Tic-tac.

Sobre a vida, poodles e tudo mais

Lá nos primórdios eu tinha uma calça rosa. Era super style e tinha me custado uma fortuna. Rosa bebê, saca? E eu ainda usava com uma babylook com o carro da Penélope Charmosa bordado. Tão imaginando a gracinha?

Pois então. Um dia meus irmãos iam a um show Hardcore e eu cismei que tinha que ir também. Não fazia a menor idéia do que seria um show Hardcore, mas safa do jeito que sou/era, o importante era ir. Tão imaginando? Pois é, fui com a calça mais legal EVER, para me divertir: a famosa calça rosa bebê, com a blusinha da Penélope Charmosa.

Todos usavam preto, coturno e tinham aparência de que não tomavam banho há umas três semanas. E eu lá, parecendo um poodle. Foi a noite mais esquisita que já tive. Meu sonho era pelo menos arranjar uma touca suja para esconder meu cabelo loiro, reluzente AND escovado.

E assim é a minha vida: usando a calça mais legal EVER para no final das contas parecer um poodle. A gente tenta ser carinhosa para no máximo parecer carente. A gente tenta ser simples para no máximo parecer complicada. Confessar erros não são vistos como confessos, são visto como erros inconfessáveis. Tentar consertar é tentar piorar. Tentar entender é dificultar.

Se eu conseguir uma touca suja, melhora?

É preciso amar direito

 

Fico daqui olhando a capacidade de superação das pessoas. Na verdade todos têm essa capacidade, a diferença é a força de vontade. Pessoas que por dentro estão abatidas, tristes, juntando seus caquinhos, mas que ainda conseguem se olhar no espelho e dizer “vai ficar tudo bem”. Clichezão, eu sei, mas sempre fica tudo bem, não é verdade? Pessoas que cuidam de si mesmas, porque sabem o seu lugar. Pessoas que não aceitam qualquer coisa em troca de todo amor do mundo. Pessoas que sabem amar o outro, porque também sabem se amar. Não acredito em amor desesperado. Viver sem quem a gente ama é difícil PRA CARALHO, é dilacerante, mas não é o fim da vida. Fim da vida é dar fim a você. Longe de mim julgar a dor dos outros, mas ninguém sofre menos porque está sorrindo ou andando para frente. Eu sou uma, que faço o maior drama, fico aqui com aquele mantra tadinha-de-mim-ninguém-me-entende, mas depois entro numa vibe muito foda-se, não porque superei, mas sim porque eu não aguento mais. Não aguento ficar todo dia chorando pela mesma coisa, pelo mesmo problema, pela mesma falta de palavras. Porra! Se ninguém entende o que você está falando, o problema não é só seu não, colega!

Você tem todo direito de amar, só não pode se escravizar. Não se escravize pelo que sente. Não aceite menos que todo amor que houver nessa vida. Não sofra dias por um beijo de boa noite… Fique, sim, ansiosa por um beijo de saudade. Não se intimide quando alguém achar que você quer tudo ou quer demais, porque você nunca teve pena de pagar caro, e com prazer, por aquilo que você ama.

Capisco?

Bandeira branca

Eu passei minha gravidez inteira apaixonada por um homem que não tinha absolutamente nada a ver com o pai da minha filha.

Um dia me senti completamente abandonada e aceitei o convite de um amigo para bater papo e enfiar o pé na jaca. No dia seguinte eu estava com a maior ressaca EVER, dessas que a gente não consegue nem levantar porque a cabeça não para de girar. Um mês depois eu estava contando para esse meu amigo que estava grávida dele, e escolhendo palavras para contar para meu “apaixonado” que eu estava grávida de outro. O mundo caiu na minha cabeça, porque além de tudo eu estava desempregada e sem plano de saúde. Fui sozinha fazer a ultra, para confirmar o que todos os exames já haviam mostrado. Minha filhinha estava lá, parecendo um caroço de feijão, com o coração batendo. Foi uma mistura entre o som mais lindo que já ouvi na vida com o mais amedrontador. Eu chorei e pensei “Meu Deus, o que vou fazer agora?”.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Minha gravidez foi ótima, eu fiquei linda, Marina ganhou tantos presentes que só precisei complementar o enxoval. Minhas amigas me apoiaram muito, além da minha família que não disse, em momento algum, palavras que me recriminassem. Hoje eu tenho um emprego estável, temos plano de saúde… De um quarto na casa dos meus pais mudamos para uma casa. Sou uma típica dona de casa suburbana que adora pendurar fotos da família na geladeira e enfeitar a casa com vasinhos de planta. Marina chega da escola e já tem janta pronta, mas antes vai direto para o banho, para depoooooois escovar os dentes e dormir. No meio dessa vida normal ganhei uma psiquiatra de quebra…mas, quem é que não precisa?

Meus amores ficaram espalhados por aí. Fiquei sem vida afetiva durante muito tempo. Até achei que tive uma, quando eu e o pai dela não tínhamos nada para fazer. Tô aqui, não to fazendo nada, nem você também. Sabe? Bem por aí. O outro, lá do começo da história, foi embora. Casou, mudou e não deixou recado. Literalmente.

Minhas histórias de amor são sempre assim meio dantescas. Um dia estou no céu, e outro no inferno. Um dia tenho tudo, noutro, nada. Todos perturbados, carentes, opressores, que amam muito, que sentem muito, que vêem em mim tudo que eles precisam. Talvez eu também seja perturbada, carente, opressora, que ama, sente muito e vê neles tudo que eu preciso. Daí que uma hora essa bomba explode. Só que agora eu estou aqui na janela agitando uma bandeirinha branca… Alguém entende isso? Entenda.

Delicate

Tem pedacinhos do coração que a gente precisa jogar fora… Daí que um dia a campainha bate. Você acha uma caixinha com seu nome, e dentro tem aquele pedacinho de você. Alguém deixou ali para te lembrar que o que é seu, inexplicavelmente, sempre volta para você.

(#DexterFeelings?)

Saudade

Saudade não é uma vontade que dá e passa. Quanto mais passa, mais saudade. A gente pensa que está com saudade quando ainda sente o cheirinho no travesseiro de manhã… Daí a gente percebe que sente muuuuuuito mais quando passam os dias e o cheirinho acaba. A gente pensa que está com saudade quando o telefone toca e quer perto aquela voz que acalma o seu dia… Daí a gente percebe que sente muito, mas muuuuito mais quando passam os dias e o telefone não toca. A gente pensa que está com saudade quando conta os minutos para a hora passar… Daí a gente percebe que sente muito, muito mais quando já não sabe mais onde encontrar.

Chega de saudade?

Saudade

No espelho

Pensa. Se fosse para escolher uma dor de dente ou uma dor de ouvido, qual você escolheria? Você acha que consegue conviver bem com uma dor de dentes? Ou… A dor de ouvido seria mais digna, mais justa, mais correta? Mas fala logo, porque tá DOENDO PRA CARALHO.

Quando uma dor precisa substituir a outra é porque tá na hora de tudo mudar… Não permita que suas escolhas oscilem entre dores irremediáveis. Deixa estar. Let it be. Let it go. Live and let die.

Hello, goodbye

 

Semana difícil. A gente não se entende. You say Yes, I say No. You say Stop and I say Go. Não, essa vida não é para mim. Monto um mapa estratégico, analiso os fatos, somo 2+2 e lá está a minha vida. Ele nunca foi perfeito, e em momento algum imaginei o nome dos nossos filhos. Ele não é diferente de nada que já tenha me acontecido, até porque ele não é nenhuma novidade. Eu e meus relacionamentos turbulentos, cheios de crises e incompatibilidades. Porém, esse aparente desapego e suposta lucidez não fazem com que meu fantástico plano seja de fácil execução. Eu gosto dele.

E agora?