O problema da honestidade

Olha, não sou a favor da verdade-nada-mais-que-a-verdade. Mal educado aquele que diz o que quer, até porque, provavelmente não perguntei porra nenhuma. (Tô nessa vibe)

Não sei o que isso pode parecer, mas acho que verdade não é, necessariamente, honestidade. Não acho que devo dizer a verdade o tempo inteiro, mas ser integralmente honesto é fundamental. Longe de mim contrariar a bíblia, mas verdades precisam ser ditas quando solicitadas. No entanto, em qualquer tipo de relacionamento (com familiares, amigos, amores, vizinhos etc) honestidade é a base do entendimento. Se você tem algum problema com alguém (qualquer alguém!), seja honesto, converse. Não coloque o outro de castigo para ver se ele aprende e pensa no que fez. Peraí, né? Porra, fica fazendo terrorismo. E também não me venha cheio de verdades, porque eu também tenho as minhas. Vamos conversar.

Por outro lado, existe a ingenuidade da honestidade: “Enquanto eu estava aqui te esperando, tomei liberdade para ir ao seu banheiro, tá? Desculpa, você estava ao telefone, não quis te atrapalhar…”. Como é que eu ia saber que eu viraria a louca que vai ao banheiro dos outros sem avisar ANTES? É muita gente doida nesse mundo, gente. Você NUNCA vai imaginar que aquela pessoa não te atende mais, porque ela acha que você foi extremamente inconveniente em sua casa. Você vai pensar mil coisas, MENOS no dia que você foi ao banheiro.

Sou do tipo que se tenho essas neuroses aviso na primeira oportunidade. Claro que ALGUÉM vai se sentir ofendido, e vai me mandar uma foto de um banheiro que ela foi em PARIS, sem precisar avisar ANTES. Mas, por favor, palmas para ela, que ela merece. Pelo menos agora entendi por que não responde mais meus recadinhos no Facebook. Cada um com suas merdinhas, né? Vou respeitar.

Dia desses fui pregada na cruz por dizer a verdade. Sim, Jesus, entendo perfeitamente a sensação. Achei que estava sendo honesta, mas não estava não. Estava com um monte de “verdade” acumulada. Tudo que eu tinha vontade de dizer a respeito, eu disse. Ninguém me perguntou, mas eu disse. Em minha defesa digo que meu lado honesto não permitiu que eu desmentisse uma vírgula depois do estrago. Não sei se eu estava certa ou errada, mas não queria ter feito tanto estrago. Apesar de que, cá entre nós, achei muito barulho por nada.

Hoje li a frase: “Melhor levar um chute da verdade do que um abraço da mentira”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: dá para alguém me incluir FORA dessa?

Eu sei mentir também, e às vezes faço com mais frequência do que gostaria. Isso contradiz todo meu discurso? Não. Só fica paradoxal, porque sou honesta quando digo que sei mentir, e pratico, inclusive.

Sabe que estou começando a achar que eu seria uma boa advogada?

Anyway, o que a gente pode concluir com isso tudo? Honestamente? Me perdi no meu próprio discurso no meio do caminho. Isso tudo começou porque – metaforicamente falando –   me senti injustiçada por ter sido castigada por levar uma barra de chocolate para um Spa, e ter avisado na portaria. Porra, sacanagem. Eu estava sendo honesta… Não precisa revistar minha bolsa.

Droga.

Sobre amizade

Dizem que escrevemos melhor quando estamos tristes. Não é uma regra, mas devo concordar. Eu, por exemplo, normalmente sinto mais necessidade de escrever quando estou magoada ou quando preciso justificar para o “mundo” que minhas atitudes e pensamentos têm fundamento. Chato isso.

Escrever é uma forma de ser ouvida e não ser interrompida.

Mas, não é minha intenção gerar um texto metalinguístico (gostaram?). Não é sobre nada disso que pretendo falar hoje. Comecei com a intenção de tentar descobrir o porquê escrevemos tanto quando estamos com o coração cansado. Por que as pessoas se identificam tanto comigo quando estou abatida? Não é injusto?

Agora pense numa pessoa querida. É! Qualquer uma! Tenho a péssima mania de me sentir vítima desse mundo esquisito que a gente vive. Por que não consigo simplesmente abstrair tudo aquilo que desaprovo/que me faz mal, se eu tenho coisas muito mais construtivas para contar? Acho falso quem é feliz o tempo todo, mas sabe…eu tenho amigas sensacionais, que me fazem feliz o tempo todo. Bem, não assim o tempo todo, porque agora cismaram de tomar meu último gole de Coca-cola. Traumático.

Dia 15: A foto de um irmão/irmã de alma

O desafio de hoje é falar das pessoas que só nos fazem bem. Difícil para quem é dramática e vítima do mundo. Mas, pensando bem…

Sabe aquele dia que caí no fundo do poço, e já estava descendo o primeiro degrau? Sim, eu fui socorrida. Se saí do fundo do poço? Não, mas tive com quem conversar… Eu precisava que alguém me ouvisse chorando. Só isso. É…a gente precisa saber que não está sozinha. Ela foi um desses anjos que Deus coloca em nossas vidas, que consegue nos fazer lembra o quanto estamos acima de tantas coisas que o coração não tem deixado a gente ver. Aquela amiga que te lembra tudo que você esqueceu que é.

Outro dia, por intermédio de outras pessoas, apareceu uma senhora na minha vida, que se disponibilizou em me ajudar com um probleminha burocrático que andava tirando meu sono há alguns dias. Uma senhora, que faz tratamento sério de saúde, se disponibilizou vir até a mim e me ajudar pessoalmente. E mesmo doente, ela me pareceu a pessoa mais cheia de vida que já conheci até hoje.

Sim, as pessoas são más e eu tenho medo delas. Porém, maior que toda essa maldade é a bondade de quem está perto. Se de repente tudo parece ruim, é de repente que a gente também se surpreende, e aprende a se equilibrar no mundo.

Também sou acusada de ser má às vezes. Quanto a isso, ainda não tenho explicação, mas tenho certeza que muito maior que qualquer (suposta) maldade foi a intenção de acertar. Bem, algumas vezes nem tanto. E, claro que só estou justificando. Ninguém se sente má assim por querer.

Bem-vindo, 2012

Ok, preciso dizer para vocês que meu ano de 2011 foi uma MERDA. Decidi começar meu texto com essa frase impactante, simplesmente porque não tinha outra forma de expressar ou definir em apenas uma frase o decorrer de um ano INTEIRO.

Comparando com problemas que atingem a humanidade, sou mero grão de areia. Mas, vocês precisam saber que, sim, as pessoas adoecem emocionalmente. Passei o ano de 2011 com a cabeça completamente fudida. Através de outros olhos ganhei vários adjetivos, todos ofensivos ou depreciativos, afinal, não fui capaz de realizar uma tarefa completa. Larguei pós-graduação, projetos, minha casa ficou às moscas e não conseguia mais trabalhar. Os remédios me ajudaram a não chorar 24h por dia, mas falhei em todas as tentativas em fazer algo por mim.

A gente não precisa de crítica negativa para ter consciência que precisar andar para frente, entende? Isso é chutar cachorro morto. Tive dias felizes, sim, mas quando não conseguia pensar em absolutamente nada sobre a minha existência. Aqueles dias que a gente conversa com alguma amiga(o) que adora sorrir. Eu também gosto! Se você se preocupa comigo, querida(o), me faça sorrir! Não fale nada que não me faça abrir um sorriso, a não ser que eu te pergunte. Aliás, isso deveria estar no estatuto dos direitos humanos.

Certa vez fui atropelada. Fiquei alguns segundos inconsciente, sem saber o que havia acontecido, no entanto percebi que estava caída no meio da rua e não conseguia levantar. Não conseguia gritar por socorro e nem me movimentar, mas tinha consciência que um outro carro poderia me atropelar de novo se não conseguisse sair dali. Alguém me ajudou, me levou para calçada… eu estava consciente, mas não sabia direito o que estava acontecendo. Dei o número da casa dos meus pais para alguém me buscar e levar ao médico, porque tudo doía. Pensaí.

Com a chegada de um novo ano, renovo meu coração de esperanças. Que eu pare de me sentir culpada por tristezas que não me pertencem. Que eu me cobre menos lealdade. Que eu não tenha necessidade de tantas verdades. Que eu mantenha serenidade com o que não entendo ou não se explica. Que eu tenha sabedoria com o que não me acrescenta. Que eu tenha paciência com a ignorância. Que eu aprenda a ver com o olhos, e menos com o coração. Que eu seja menos emotiva, sem perder a sensibilidade. E principalmente: que eu aprenda que conviver comigo mesma é super fácil. A gente nasce dinamite, e quem nos ama sabe nos manter em temperatura adequada. (li isso hoje em algum lugar)

No fundo acho que reclamo de barriga cheia, porque tenho todos os motivos para ser feliz todo dia. Não quero ser mal agradecida e nem parecer infeliz. Na verdade, em 2011 não tive motivos para ser infeliz. A angústia veio da sensação de ser sempre a pessoa errada, no lugar errado, quem sabe, no planeta errado. Acontece.

Presente, professora!

Ok, vamos “matar” logo esses três dias e acabar com a minha agonia. Vocês querem falar de escola? Ok, então sobre escola iremos falar.

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Dia 11: Uma foto de algo que lembre seu Ensino Fundamental

Dia 12: Uma foto que define sua faculdade, ou a que quer fazer

Dia 13: Um foto da sua profissão

Sempre odiei. Verdade. Escola, para mim, era um pesadelo. Primeiro, porque tinha que acordar cedo. Oh, Deus, por favor não! Já contei para vocês que nasci dormindo e só chorei cinco minutos depois? Outro dia conto, mas não espere que eu goste de QUALQUER COISA até, pelo menos, às 10h da manhã. Se levei cinco minutos para chorar quando nasci, você acha meu cérebro leva quanto tempo para começar a funcionar depois que meus olhos abrem? (nunca mais?)

Na verdade, apesar da minha “pouca simpatia” pela escola, não fui uma aluna-problema e nem dei trabalho a ninguém. Era boa aluna, me comportava direitinho e ganhava a simpatia de alguns professores com alguma conversa fiada. Contudo, por trás daquela menininha boazinha e simpática existia alguém que queria MORRER RÁPIDO, principalmente nas aulas de Química, Matemática e Biologia. Juro que eu sentia que meu corpo desfalecia suavemente enquanto meu cérebro virava gelatina de, sei lá… CU?

Aí, disseram que eu teria que estudar mais para ser alguém na vida. Então, depois de uma história longa e enfadonha, decidi fazer Letras. Quem gosta de escrever, ler e artes faz Português AND Literatura, claro. Lá fui eu para faculdade e foi tudo sensacional. Não acordava cedo, fazia meus horários, fora que a gente só estuda o que gosta, né? Daí, que tudo se torna bem mais fácil e interessante. Fora algumas aulas que morreram (eu não mato nada) no caminho, fui uma ÓTIMA aluna e tive excelentes notas. Obrigada, obrigada. E, apesar dos apelos das melhores amigas ever, me formei antes de todo mundo, ignorando solenemente os sentimentos daquelas atrazildas.

Mas, e agora, José? Já me formei… e aí? Sim, vá trabalhar, menina! Não foi para isso que você estudou? Sim, mas agora eu sou professora! José aponta para mim e ri: VOLTA PARA SALA DE AULA!

Sim, voltei. Mas de lá pra cá os tempos mudaram. Antes os alunos só queriam morrer… Agora eles tentam nos matar. Tá bom… Tá bom… Não vou falar sobre a probabilidade de um dia enfartar. Gosto de dar aula, e, sim, vale a pena fazer parte da história de alguém… A sensação de ter o “poder” de fazer a diferença no mundo (e por que não?) é edificante. Se não fosse o sistema (não falemos nele) eu me arriscaria em dizer que é a melhor profissão do mundo. Descobri que também há alunos inesquecíveis, e que complementam nossa história.

Mas, agora a gente pode parar de falar de escola? PORRA, EU TÔ DE FÉRIAS!

Versinho

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Eu, que tenho em meu sorriso toda felicidade do mundo.
Eu, que abro mão de mim sem me perder.
Eu, que preciso de silêncio e sou feliz sem ele.
Eu, que tenho calos nos pés.
Eu, que nunca sei o caminho, mas a direção está sempre certa.
Eu, que sou chamada de louca quando me sinto mais sã.
Eu, que não abro mão.
Eu, que não sei pedir.
Eu, que sempre paguei para ver.
Eu, que sei mentir.
Eu, que nunca tive medo de ninguém.
Eu ainda tenho um sonho secreto…
Um sonho ingênuo e secreto:
Que um dia eu pare de chorar por você não estar perto.

Defeito de fábrica

Dia 4: Uma foto que represente seu maior defeito

Tenho a impressão de que falar dos próprios defeitos será, na maioria das vezes, como entrevista de emprego: conseguiremos descrevê-los sempre a nosso favor. Inclusive, porque acreditamos nisso. Todos nossos defeitos são justificados, e a imagem refletida no espelho será descrita da forma que enxergamos. Aqueles piores mesmo são feios demais para revelar e não vão combinar com nosso penteado ou com aquela velhinha que ajudamos a atravessar a rua.

Como uma autêntica criatura com defeitos de fábrica, já fui chamada de egoísta (mas quem não foi?), insensível, imprestável, dissimulada, impulsiva, irritante, implicante, metida, arrogante, soberba… Meu Deus, será que sobrará algum que eu não possa contar? Para todos esses tenho justificativas, provadas por A+B, que não é por querer e a culpa é de quem mexe com quem está quieto. Nunca seremos maus aos nossos olhos. Bom, não assim o tempo todo.

No entanto, o melhor dos piores, aquele que carregarei comigo para o túmulo e vou ter que me virar para explicar depois, é a minha PREGUIÇA. Esse é meu pecado capital. Sabe aquela preguicinha de existir? ADORO dormir com aquela sensação maravilhosa que não tenho absolutamente nada de importante para fazer no outro dia. Imaginem só: eu e Marina estamos de férias… O que, no mundo, vai nos tirar da cama antes das 14:00? ADORO acordar tarde, comprar comida pronta, pedir por telefone, mandar entregar em casa. Ainda bem que tenho uma certa neurose com arrumação, senão minha casa seria O caos. Mas, já falei que meu sonho é ter uma faxineira?

Ah! E quer saber outro mimo? Não adianta me chamar para alguma coisa em cima da hora. Nunca me animo. Preciso estar psicologicamente preparada para me arrumar e sair. Ah, é… e também sou chamada de antissocial.

Quando vai ser o dia para descrever as qualidades, hein? Esse texto não está fazendo bem à minha imagem. Se bem que…em minha defesa, posso assegurar que é muito bom dormir comigo. (rá!)

Pensando bem, vambora acordar para vida? Levanta dessa cama! O mundo está passando lá fora. Muitas festas! Muitos amigos! Olha o dia como está bonito hoje… Vá à praia, amiga! Aproveita a natureza, o sol, o mar…é verão!

Olha que eu vou, hein? Só falta saber uma coisa:

QUEM VIRÁ ME BUSCAR?

(Mas não me ligue agora, porque esse texto está previamente agendado, e, claro, estou dormindo neste exato momento)

Das coisas que a gente aprende e desaprende

Sabe, me acho meio ingênua. Não sou bobinha, não tenho vocação para Sandy, e nem, graças a Deus, acredito nas propagandas da Polishop…Já descobri que o coelhinho da páscoa é uma farsa, que Danoninho não vale por um bifinho, e que chocolate diet também engorda. Só ainda não me conformei muito com a história de que Papai Noel não existe. Era a minha última esperança de continuar vendo o mundo do jeito que eu via quando era criança. Talvez assim ele parecesse mais colorido. Mas aprendi também que acreditar em mentiras só colore a imaginação.

A gente cresce com o tempo e vai aprendendo a desacreditar em tudo que haviam nos ensinado.

Lembro da minha mãe dizendo para sempre respeitar os mais velhos, que não podia chamar a mamãe enquanto estava conversando, e nem se meter nas conversas dos adultos. Não podia brigar com os amiguinhos, e que era muito feio não querer devolver o brinquedo do outro, que quando eu quisesse qualquer coisa, podia sempre pedir ao papai, que ele me daria. Às vezes demorava, mas ele sempre dava um jeitinho. Lembro das coisas que não podia fazer na frente de ninguém: não podia tirar meleca, fazer sapo (arrotar) e nem soltar pum. Se eu me perdesse, que ficasse parada no mesmo lugar, sem medo, porque já já mamãe me acharia. Ensinou que deveria vir embora na hora do almoço, que era feio ficar olhando as pessoas comer, e mais ainda deixar alguém me olhando, e que eu deveria sempre dividir. Quando pedir algo, sempre “por favor”, e nunca deixar de agradecer, “obrigada” (porque menino fala “obrigadO” e menina fala “obrigadA”, sabiam?). E principalmente: nunca minta para mamãe, porque “quem fala a verdade, não merece castigo”.

Algumas coisas não desaprendi. Continuo não fazendo na frente das pessoas o que é feio, porque ainda sou muito educada, obrigada. Ainda continuo não querendo nada de ninguém. Bom, quase nada. Mas quando me perco da minha mãe no supermercado, fico rosnando procurando por ela, e quando a encontro, chamo de descontrolada, compulsiva, às vezes de véia caduca, e pergunto quem mandou sumir! E lá se foi a educação e o respeito pelos mais velhos.

Mas a maioria desaprende o que sabiamente a mamãe ensinou lá nos tempos que ainda acreditávamos em Papai Noel, e do mesmo jeito que ele vira mentira, a gente desacredita na educação das pessoas, no bom senso e respeito. Gente que suja a rua, que desrespeita idosos, trabalhadores ou pessoas humildes. Gente que quer o que o outro tem. Gente que não tem o menor conceito do que é respeito. Basta assistir ao Jornal Nacional, e talvez, quem sabe, entrar num processo de síndrome do pânico, no meio de tanta informação, que agride nossa sensibilidade. A gente leva tanta porrada, ou vê tanta coisa acontecendo, que passa a ter medo de conviver com as pessoas.

Contudo, de todas as coisas que precisei desacreditar para me proteger, o que mais me desapontou foi ter que desacreditar na verdade. De como fui castigada por dizê-la, e de como já usaram minhas verdades contra mim. Quando somos verdadeiros nos expomos, e ficamos vulneráveis àquelas pessoas que roubam tudo que nos é precioso, porque sabem onde guardamos a chave da porta da frente.

Cheguei a achar que verdades estariam restritas apenas àqueles que a gente ama, e na melhor das hipóteses, a quem nos ama de volta e nos retribui o coração com a mesma sinceridade, principalmente nossos pais e irmãos, mas também nossos amigos e aquele amor que a gente acha que vai ser para vida toda. Basta as mesquinharias dos outros e notícias do Jornal Nacional.

Porém, de uns tempos para cá, descobri que amigos às vezes nos retribuem amizade com mesquinharias e pobreza de espírito; e que aquele amor para vida toda era tão verdadeiro quanto Papai Noel. A sensação que tenho é que guardei as meias que colocava na janela. Acreditar naquele amor para vida toda é olhar para o céu e esperar papai Noel chegar, com todos os nossos sonhos dentro daquele enorme saco vermelho. A diferença é que quando eu acordava, meus sonhos estavam lá debaixo da árvore.

Acho que minha mãe conseguiu me ensinar a ser uma pessoa boa. Ela só esqueceu de me ensinar a ser esperta. Talvez tivesse esperanças que eu percebesse que tudo muda quando a gente cresce, e que com o tempo eu aprenderia. Mas gosto de finais felizes, mesmo que não seja em Bali. Mesmo que a vida não seja em Neverland. Mesmo que o sonho acabe. O final feliz dessa história é que mesmo no meio de tantas mentiras e frustrações, eu ainda estou aqui, em pé, mesmo que toda machucada, ainda incapaz de roubar alguma chave de porta da frente.

11/08/2007

Quando eu soltar a minha voz por favor entenda…

 
Que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca peito aberto, vou sangrando

São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta, essa força tanta

Tudo que você ouvir esteja certa que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos e o tremor nas minhas mãos

E o meu corpo tão suado transbordando toda raça e emoção

E se eu chorar

E o sal molhar o meu sorriso

Não se espante

Cante

Que o teu canto é a minha força

Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz

Por favor entenda
É apenas o meu jeito de viver

O que é amar

Fora do mercado

(…)

– E o seu marido?

– Não… eu não sou casada…

– Separada?

– Não…

– Viúva?

– Não…

– Ah, tá… é mãe solteira…

Alegre

– Vejo sua filha e sinto a maior falta da minha… Tenho uma filha também, mas não sou casado não… Sou separado…

– Hum…

– Há mais de um ano já… E você? E o pai da sua filha?

– Legal… Mas agora tenho que ir. Beijos.

Não sei mais paquerar. Sério. Não importa se acho a outra pessoa interessante ou não… O caso é que independente do meu grau de interesse, tenho aquela vontadinha de MORRER quando recebo um elogio, quando tentam me apresentar a alguém ou qualquer tipo de desvio numa conversa.

Deus, o que está acontecendo comigo?

Você também não acredita, né? Mas deixa eu te contar mais.

Outro dia eu estava num churrasco… Só pessoas conhecidas… De repente chegou uma galera. Só homens, amigos do dono da casa. Quando vi aquele monte de homem entrando (hein?), me senti no meio de um pesadelo. É se achar muito gostosa para acreditar que seria o centro das atenções e todos aqueles homens acotovelariam-se por minha causa, mas a verdade é que eu queria ir embora para não correr o risco de ser “mirada” por alguém. Deus, me defenda. Fiquei num cantinho, conversando com uma senhora, mãe de não sei quem, fazendo pose de indisponível (depois ensino).

Estaria eu frígida? Mudei de time? Ou só estou apaixonada?

Fez, porque quis

Toda vez que penso em amor, não penso em reciprocidade. Bem, não assim de imediato. Cada dia que passa percebo que amor é algo que a gente dá, porque sente, não porque quer (ou pedem). O amor é espontâneo e por si só é recíproco.

Tudo que faço pela minha filha, por exemplo, faço porque a amo, não porque quero. Eu lhe beijo, não para educá-la.  Sou sua amiga, não porque ela tem que saber o que é amizade. Independente do que eu TENHA que fazer, eu faço porque a amo, não porque quero. A gente dá presente, porque adora ver o outro feliz. Mas quando ela joga papel de bala no chão INTEIRO, que acabei de limpar, não hesito em dizer em alto e bom som (histérica) que fiquei igual uma CORNA o dia inteiro limpando a casa, e se ela não tá percebendo que tá sujando, eu tô mostrando! Nem ligo para psicologia. PODE CATANDO ESSA #%$#@ TODA A-GO-RA!

Acredito que seja mais ou menos assim em todas as relações entre pessoas que se gostam/amam. Só não retribui amor quem não te ama de volta. Não acredito em amor que a gente tem que cobrar. Há momentos, sim, que papéis de bala serão jogados no chão sem querer, e a gente vai reclamar. Há milhares de formas de resolver problemas, há relações e relações… No entanto, não vou acreditar NUNCA em quem me diz “fez, porque quis”. Quem ama não faz porque quer, faz porque ama.

Você está perdendo seu tempo com aquele que diz que nunca te pediu nada. Esse não teve nem a educação de não jogar papel no chão.

Esnobe? Eu?

Moro aqui na rua há mais de 20 anos. A casa da minha mãe fica do lado direito, e a minha (há mais ou menos 1 ano), do esquerdo. Dia desses entrei na rua e fui para minha casa pela calçada esquerda, e de repente me dei conta que estava num lugar completamente desconhecido. Que sensação esquisita… Há mais de 20 anos entro na mesma rua e nunca tinha me dado conta que EXISTIA uma calçada esquerda. Olhei para as casas…reparei que algumas tinham garagens, outras umas árvores bonitas… Que interessante.

A verdade é que não tenho o MENOR interesse pela vida das pessoas. Se em algum lugar está escrito “não abra”, eu não abro, e na maioria das vezes nem fico curiosa. Não é para abrir, então não é. Sabe aquela pessoa que não olha o mundo a sua volta? Literalmente. Essa sou eu. O mundo tá cheio de gente! É muita gente para olhar! E eu simplesmente, com todo meu coração (e respeito), não me interesso por elas. Isso não tem nada a ver com amor ao próximo, insensibilidade e tudo mais. Tem a ver com: não olho para você, a vida é sua…fique à vontade. E você pode, por favor, fazer o mesmo por mim?

Esse meu jeitinho doce me rende antipatia gratuita. As pessoas não gostam de mim, mas, acredito, nem sabem o porquê. Ou inventam os porquês, para justificar aquele sentimento inusitado. Se alguém me diz “Oi, sou sua vizinha! Moro naquela casa amarela!”. Morro de vergonha, porque aquela pessoa se sente rejeitada, ignorada, porque não sei quem ela é. O que ela nunca vai entender é que eu nem imaginava que na minha rua existia uma casa amarela. Entende?

Nunca fui boa com fofoca. Que inferno. Pior que às vezes a fofoca é sensacional, altos barracos, e eu não faço ideia de quem estão falando. Oi, eu sou Danielle, vivo no planeta Terra, mas eu sei de mim, da minha família, dos meus amigos e o resto do mundo acompanho pelo G1. Não sei o nome daquele colega que não trabalha no mesmo turno que eu, e nem das meninas da secretaria, até porque tenho vergonha de perguntar o nome delas a essa altura do campeonato. Hoje conheço alguns vizinhos, geralmente pais e mães de crianças, porque desde que engravidei passei a prestar atenção em crianças a minha volta. Consequentemente passei a ter afeto por todos eles.

Veja bem, se não sei quem você é não é porque minha superioridade inexorável não permite. Se não sei quem você é, é porque eu não tenho nada a ver com isso. Porque você tem liberdade de ser qualquer coisa. Não vou olhar para dentro da sua casa para ver o que você tem, o que você veste, que carro comprou. O problema é que você QUER que eu olhe, não quer?

Vamos fazer o seguinte? Faz de conta que não estou aqui? Caso precise de mim por algum motivo, tentarei ajudar, e pode ter certeza que serei gentil e de verdade. A gente precisa das pessoas, eu também preciso. Agora, pare de tentar chamar minha atenção pelo motivo errado. Pare com essa carência. Pare com essa necessidade de se sentir notada(o), admirada(o) ou, quem sabe, invejada(o). Como assim eu não gosto de você? Não tem como detestar alguém que mora lá naquela casa amarela… O que fatalmente parecerá esnobe da minha parte. O que eu também nem ligo, e também não sei por que estou explicando… Mas, deixa eu viver minha vida sem precisar te notar? Deixa? Obrigada.