Então é isso

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Cara, entenda… Eu sou uma pessoa legal. Sou mesmo, mas na maioria das vezes acho as pessoas chatas, entediantes, fúteis e sem graça. Isso faz de mim uma pessoa pouco sociável. Dificilmente algum assunto me interessa, porque a coisa mais difícil do mundo é encontrar alguém que fale alguma coisa que preste. Digo, até pra falar o que não presta, a pessoa tem que fazer parecer interessante. Bom, inclusive acho que é por isso que meu blog sobrevive há tanto tempo.

Claro que isso faz de mim uma pessoa sozinha, mas numa casa que mora 8 pessoas que dividem 1 banheiro, não dá para não ser uma pessoa estressada e ansiosa por momentos de solidão.

Eu SOU estressada. Não parece. Normalmente sou calma e paciente. Mas, cheguei num ponto que não sinto nenhum pouco de remorso em ignorar as pessoas. É que nem o telefone daqui de casa…ignoro tanto, que nem percebo quando toca. Porém, isso não faz de mim uma pessoa insensível. Nunca fui arrogante ou soberba… Muito pelo contrário…O que gosto é de me recolher a minha insignificância.

Mas sabe o que eu acho? Que as pessoas andam tão egocêntricas, se sentem tão centro do universo, que não se conformam quando alguém simplesmente não se interessa pela melancia que adoram colocar no pescoço. Foda-se a melancia, saca? Foda-se, porra. Ou então tá todo mundo carente. Eu sou carente… E MUITO! Mas olha bem para minha cara: me reservo a quem talvez se preocupe com isso. E só.

Hoje eu estava vendo um filme estrelado por Andy Garcia (que apesar de vesgo, é gato), que comecei a assistir mesmo sem saber do que se tratava. Bom, o filme era meio antiguinho, o tema era meio punk, e fiquei assim meio impressionada. Esqueci o nome do filme, claro, mas era sobre um terapeuta que vivia o drama de perder seu filho (por suicídio), e tentar ajudar um paciente com o mesmo problema do filho falecido. Assisti tudo no maior pique, sem conseguir tirar os olhos da tela… E no auge do drama, e, talvez, faltando 2 minutos e 37 segundos para o final, a Net corta o sinal inexplicavelmente.

Delicinha. E com essa sorte, aposto que se eu entrar numa rifa de caixão, eu ganho.

Mas, o que isso tem a ver com que eu tava falando? Nada. Só decidi mudar de assunto, antes de fazer deste um post antipático. E aproveitar a ocasião para dizer que eu odeio a Net, e mais ainda de quem me cobra atenção.

Entendeu?

Em 24 de agosto

200565345-002.jpgFim do dia. Poesia, mensagens, telefonemas, presentes, beijos, abraços. Dia de festa. Meu aniversário. Marina nem me esperou para dormir… está exausta. Já já tento vencer a preguiça, levanto da cama e troco sua roupa pela de dormir. Ah é, e a fralda também. Meu corpo não costuma me obedecer a essa hora, mas mãe é mãe, paca é paca. Os presentes estão espalhados pelo chão. Deus, amanhã tenho que arrumar tudo.

Dois dias preparando a casa para receber os amigos. Deu tudo certo, estava tudo gostoso e bonitinho, com direito a “saquinho surpresa” cheio de marchmallow. Que engraçado. Ouvi a noite toda que estou diferente. Né isso, não…é que quando a gente vira mãe, a gente muda da Terra do Nunca. Lista de nomes na porta de boate já não dá mais. Acho que Marina não vai gostar do barulho…e além disso, já faz um tempinho que morro de preguiça dessas coisas. Velhinha, tadinha.

Amanhã leio o livro de poesias.

Gostoso demais ter amigos para sempre – e que juram que gostam da nossa comida.

Acho que amanhã não vou entender minha letra. Essa hora já não sei se não consigo ler ou se dormi e acho que escrevi alguma coisa.

Marininha acordou. Acho que quer vir para minha cama, e pelo jeito que está me olhando, não está entendendo porque está ainda com roupa de festa. Já vou, sinhá. Amanhã como mais bolo. Boa noite, caderno esquisito.

Das coisas que a gente aprende e desaprende

ursinho

Sabe, me acho meio ingênua. Não sou bobinha, não tenho vocação para Sandy, e nem, graças a Deus, acredito nas propagandas da Polishop…Já descobri que o coelhinho da páscoa é uma farsa, que Danoninho não vale por um bifinho, e que chocolate diet também engorda. Só ainda não me conformei muito com a história de que Papai Noel não existe. Era a minha última esperança de continuar vendo o mundo do jeito que eu via quando era criança. Talvez assim ele parecesse mais colorido. Mas aprendi também que acreditar em mentiras só colore a imaginação.

A gente cresce com o tempo e vai aprendendo a desacreditar em tudo que haviam nos ensinado.

Lembro da minha mãe dizendo para sempre respeitar os mais velhos, que não podia chamar a mamãe enquanto estava conversando, e nem se meter nas conversas dos adultos. Não podia brigar com os amiguinhos, e que era muito feio não querer devolver o brinquedo do outro, que quando eu quisesse qualquer coisa, podia sempre pedir ao papai, que ele me daria. Às vezes demorava, mas ele sempre dava um jeitinho. Lembro das coisas que não podia fazer na frente de ninguém: não podia tirar meleca, fazer sapo (arrotar) e nem soltar pum. Se eu me perdesse, que ficasse parada no mesmo lugar, sem medo, porque já já mamãe me acharia. Ensinou que deveria vir embora na hora do almoço, que era feio ficar olhando as pessoas comer, e mais ainda deixar alguém me olhando, e que eu deveria sempre dividir. Quando pedir algo, sempre “por favor”, e nunca deixar de agradecer, “obrigada” (porque menino fala “obrigadO” e menina fala “obrigadA”, sabiam?). E principalmente: nunca minta para mamãe, porque “quem fala a verdade, não merece castigo”.

Algumas coisas não desaprendi. Continuo não fazendo na frente das pessoas o que é feio, porque ainda sou muito educada, obrigada. Ainda continuo não querendo nada de ninguém. Bom, quase nada. Mas quando me perco da minha mãe no supermercado, fico rosnando procurando por ela, e quando a encontro, chamo de descontrolada, compulsiva, às vezes de véia caduca, e pergunto quem mandou sumir! E lá se foi a educação e o respeito pelos mais velhos.

Mas a maioria desaprende o que sabiamente a mamãe ensinou lá nos tempos que ainda acreditávamos em Papai Noel, e do mesmo jeito que ele vira mentira, a gente desacredita na educação das pessoas, no bom senso e respeito. Gente que suja a rua, que desrespeita idosos, trabalhadores ou pessoas humildes. Gente que quer o que o outro tem. Gente que não tem o menor conceito do que é respeito. Basta assistir o Jornal Nacional, e talvez, quem sabe, entrar num processo de síndrome do pânico, no meio de tanta informação, que agride nossa sensibilidade. A gente leva tanta porrada, ou vê tanta coisa acontecendo, que passa a ter medo de conviver com as pessoas.

Contudo, de todas as coisas que precisei desacreditar para me proteger, o que mais me desapontou foi ter que desacreditar na verdade. De como fui castigada por dizê-la, e de como já usaram minhas verdades contra mim. Quando somos verdadeiros nos expomos, e ficamos vulneráveis àquelas pessoas que roubam tudo que nos é precioso, porque sabem onde guardamos a chave da porta da frente.

Cheguei a achar que verdades estariam restritas apenas àqueles que a gente ama, e na melhor das hipóteses, a quem nos ama de volta e nos retribui o coração com a mesma sinceridade, principalmente nossos pais e irmãos, mas também nossos amigos e aquele amor que a gente acha que vai ser para vida toda. Basta as mesquinharias dos outros e notícias do Jornal Nacional.

Porém, de uns tempos para cá, descobri que amigos às vezes nos retribuem amizade com mesquinharias e pobreza de espírito; e que aquele amor para vida toda era tão verdadeiro quanto Papai Noel. A sensação que tenho é que guardei as meias que colocava na janela. Acreditar naquele amor para vida toda é olhar para o céu e esperar papai Noel chegar, com todos os nossos sonhos dentro daquele enorme saco vermelho. A diferença é que quando eu acordava, meus sonhos estavam lá debaixo da árvore.

Acho que minha mãe conseguiu me ensinar a ser uma pessoa boa. Ela só esqueceu de me ensinar a ser esperta. Talvez tivesse esperanças que eu percebesse que tudo muda quando a gente cresce, e que com o tempo eu aprenderia. Mas gosto de finais felizes, mesmo que não seja em Bali. Mesmo que a vida não seja em Neverland. Mesmo que o sonho acabe. O final feliz dessa história é que mesmo no meio de tantas mentiras e frustrações, eu ainda estou aqui, em pé, mesmo que toda machucada, ainda incapaz de roubar alguma chave de porta da frente.

 

♥ Everybody hurts sometimes…

Calça jeans

Então.

Contei para vocês que na minha gravidez engordei 20 kg, né? Poizé, praticamente um boi grávido. 20 kg, meu amigo, né para qualquer um não. Aí que Marininha nasceu, mas a gente continua com aquela barriga de 6 meses. O tempo vai passando, a barriga vai diminuindo…cinco meses…quatro…três…no dois e meio estaciona. Hein? É isso aí. Você vai emagrecendo, mas aquela barriguinha indigesta de dois meses e meio NÃO SAI nem com macumba. A gente malha, faz bicicleta, esteira, chega em casa se sentindo seca, mas ela ta lá…super style. Mas, aqui, vamu combiná: style e MOLE! MOLE, CARA! MOLEEEEEEE!

Tsc. Isso fere o meu lado gatinhaaaaauummmmmm.

(joga cabelo pra direita)
(joga cabelo pra esquerda)

E agoraaaaaummmmmmm?????

Será que pancake disfarça barriga? Se bem que não quero ficar chamando atenção das crianças na rua, com ela de fora, pra acharem que é Geleca. Tsc.

Assim que Marininha nasceu pensei que em uma semana as coisas já estariam mais ou menos no lugar. Que nada. Fui logo nas calças jeans, que foram as primeiras que deixei de usar. Quase no final eu só usava aquelas calças que nem um saco, que só dá para amarrar, porque nem elástico dava. NEM ELÁSTICO, colega. Nem elástico! Muita ilusão achar que em uma semana alguma coisa caberia. Então resolvi ficar uns meses sem mexer no meu guarda-roupas e nem comprar roupas novas para não me acomodar. Daí que agora, quatro meses depois, aproveitei o embalo do PAN, e fui enfrentar o desafio.

Mas aí que vocês nem sabem: fiquei mais deprimida. Péra. Antes que vocês me chamem de orca faminta, explico. Vocês já repararam que de todo guarda-roupas, os cabides de calças jeans são os mais abastados? A gente se desfaz de tudo…blusas velhas, saias, vestidos…mas calça temos TODAS! A sensação é de estar mexendo numa caixa de fotos antigas! Tive várias recordações, e por esse lado foi engraçado. Mas por outro, estavam lá as de tempos antigos, que me fizeram suspirar pensando “ai, meu Deus…quando uma calça dessas vai dar em mim novamente?”.

MAS, tenho uma boa notícia: aquelas calças que ficavam larguinhas já cabem em mim!

Aaaaaaaeeeeeeee!!!!!!

Nunca achei que ficaria tão feliz em caber numa calça jeans. Já as separei para poder usar…(Love story de fundo, por favor) e fechei o guarda-roupas olhando para as outras, me prometendo que já já voltaria a usá-las novamente. O Mc Donalds vai ficar sem minha ilustre visita durante uns tempos, e, no entanto, o dono do sacolão aqui perto de casa vai ficar rico!

Beijos, queridos!!!

E viva a calça jeans!

Cara de palhaço, pinta de palhaço…

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Sabe o que eu acho? Acho que há pessoas que são péssimas. Há pessoas que são chatas pra caralho. Pessoas que são medíocres. Pessoas inconvenientes. Pessoas insistentes. Há pessoas irritantes. Pessoas mal educadas. Mal amadas. Muitas idiotas. Muitas pretensiosas. Pessoas hipócritas. Desonestas. Mentirosas.

Acho que dependendo do dia, até sou capaz de ser um pouco de tudo. Também tenho meu lado pior. Mas eu NUNCA fiz ninguém de palhaço.

Eu tenho que parar de tirar esse nariz vermelho, para sempre lembrar todas as vezes que me olhar no espelho, e dizer para ele: bem feito, palhaça. Vê se aprende.

Isso não vai para minha lista de dias pouco felizes, não. Não costumo pagar de volta com a mesma moeda, e por coisas que nem valem a pena. Mas sabe aqueles dias que a gente se sente miserável, porque a vida parece injusta? Aqueles dias que você não tem ninguém que você ama. Aqueles dias que você se sente sozinho. Dias que você perde tudo que você deseja. Aqueles dias que você chora cansado no seu travesseiro.

É exatamente neste dia que você vai lembrar do meu nariz.