Querido Diário – #54

Mas, aqui, deixa eu explicar a questão da maldição que falei no nosso papo anterior, porque parece que fiquei daqui jogando um monte de vudu no rapaz.

Ora, quando uma  pessoa faz uma escolha, que, talvez, seja julgada como injusta, não lhe agrega automaticamente o encosto de um caboclo amaldiçoado, que lhe fará desejar a morte de uma vida miserável. Claro que não. Bem, acho que não (MUAH!).

Na verdade, como uma autêntica representante de péssimas escolhas, posso afirmar, com conhecimento de causa, que o número de caboclos é proporcional ao estrago que a gente faz. OUCEJE, o quanto você precisa infernizar a(s) vida(s) do(s) outro(s) para ser, quem sabe, feliz. Tudo é o coração, né? Aquele levadinho. Às vezes a gente diz que não manda nele (o que eu até acho que é verdade, mas minha analista tem respaldo pra me defender) e decide segui-lo, mesmo com aquela vozinha lá no fundo gritando “pelo amor de Deus, você está certa disso?”. Pior que a gente sempre tem certeza.

Por outro lado, meu querido, a gente vai fazer o quê? O “certo” é impiedosamente relativo. Ninguém é obrigado a ser infeliz. Queria muito o discernimento trazido pelo bom senso, e por ele, lá na frente, tudo se encaixaria no seu lugar. Mas, também ficaríamos horas discutindo o que é bom senso e para quem. Não é com calma que a gente quer ser feliz. A gente quer ser feliz agora, com pressa, o tempo todo. Ora, não mereço? Pergunto-me todas as vezes que estou prestes a passar por cima de um monte de montes de coisas pelo caminho.

Amor, na minha vida, nunca foi tranquilo. OUCEJE.

Mas, peraí. Péssimas escolhas quase sempre são apenas péssimas escolhas. Não quer dizer que sou uma filha da puta egoísta all the time. Geralmente está muito mais ligada à baixa autoestima do que com insensibilidade ou, quem sabe, apenas o azar. Então para de me olhar desse jeito.

Uma vez ouvi (ou li) alguém dizer que ninguém é feliz quando a sua felicidade é a infelicidade de outra pessoa. Como eu disse ali em cima: o certo é impiedosamente relativo… então, não problematizemos esta frase. Mas, pode refletir.

Eu vivo toda quebrada. Acho que preciso aprender que pra vida seguir não preciso olhar só o que está na minha frente. Posso olhar para direita ou para esquerda também, ora. Mas, não. É pra frente que se anda, dizem. Até que aparece um precipício. Tenho medo, não. Vou me jogar com certeza. Pode ter uma rede lá embaixo, pra doida que se joga, né? Um acolchoado, uma piscina… qualquer coisa para amortecer a queda que a gente tá apostando. Mas… tem, não, gata. Uma queda vai ser sempre uma queda.

Precisa nem entender de Física pra saber que a gente cai pra baixo ou sobe pra cima. Basta o pleonasmo.

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