Querido Diário – #51

Ora, querido, você veja só… Hoje é Dia das Mães. Tenho até muito o que dizer sobre isso, além da tentativa de criar um texto bonito, mas vou te dizer que o dia está complicadíssimo.

Tempos difíceis para quem ama.

Vi filhos fazendo declarações de amor para suas mães. Eles na calçada e elas na janela. Chorei demais.

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Hoje não tivemos o almoço tradicional em família. E nem pudemos comemorar juntos o aniversário do meu sobrinho, que hoje faz cinco anos. Fizemos uma live (chamada de vídeo, na verdade) na hora do parabéns, e graças a Deus ele estava feliz da vida fantasiado de Homem Aranha, com o bolo, vela e a mesa toda enfeitada com super heróis.

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Sou mãe. Mãe sozinha. Existe uma rede de apoio, que sem ela, nada do que somos hoje (Marina e eu) seria possível. É ingratidão chamar nossa família como “rede de apoio”, porque somos uma unidade. Não existe nós e eles. Existimos todos juntos. Usei o termo como um divisor entre o envolvimento materno e paterno na criação da minha filha. Bem, interpreta aí.

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Depois que meu pai faleceu, ficamos mais dependentes um do outro emocionalmente. Nos cuidamos mais um pelos outros do que por nós mesmos. Cada um se tornou responsável por si, para que ninguém passe por mais uma perda.

Minha mãe, por exemplo, cisma que remédio faz mal. Qualquer remédio. Então vira um ciclo vicioso: os remédios que o médico disse que ela vai precisar tomar pra sempre (como o de pressão) ela para quando acha que melhorou e não precisa mais. Daí leva uns dias, ela passa mal, e tem que voltar a tomar os remédios tudo de novo, que ela vai deixar de tomar quando achar que está melhor. E não é um mal estarzinho que ela sente a cada recaída. Cada vez chega mais próximo a um AVC. E ela jura por tudo mais sagrado no mundo que está tomando cada um certinho. Até que eu tive uma crise de ansiedade, dessas que a gente não sabe de onde saí, mas tem que correr para o médico, e ela foi comigo. E no meio de um monte de coisa que estava na minha cabeça ao mesmo tempo, como se o médico fosse um juiz, eu avisei aos prantos: “…e ela não toma remédio direito! É mentira!”. Então, além de ter ouvido um sermão sobre a própria saúde, precisou presenciar meu momento de total decadência emocional para, finalmente, tomar seus remédios todo santo dia.

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É, eu sei que meus pensamentos hoje estão bem fora de ordem. Prometi que falaria com você todos os dias, mas fui atropelada por (mais) um problema, que andou me calando e trazendo de volta aquela enxaqueca, que não há analgésico no mundo que dê jeito. Vamos ver quantos longos dias vai durar desta vez.

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Em algum lugar da minha casa deve ter um formigueiro, que preciso achar e colocar a plaquinha dele: PROBLEMAS FODA. Sinalizando, quem sabe não tomo mais cuidado, presto mais atenção ou sei lá.

Mas, cá entre nós, vô te falar a verdade. Pareço essa pessoa controlada, que vai achar um formigueiro de problemas foda pra colocar uma plaquinha pra ter o cuidado de não ficar pisando etc. Mas, no dia que eu achar essa porra, não vai sobrar UMA.

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