Querido Diário – #45

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O céu do dia 45 finalizou a tarde assim.

Olha, hoje me dei ao luxo de pedir comida japonesa à noite. Me dei ao luxo, porque desde que Marina nasceu a gente só come o que ela gosta. Não é porque sou uma mamãezinha paciente e gosto de mimar minha filha. É porque sai mais barato. Pedir comida em restaurantes diferentes, são fretes diferentes, além do tempo de espera. E ela só come pizza. Pensa aí em QUALQUER lanche que você poderia fazer. Então, ela não gosta.

Se hoje comprei em outro restaurante pra ela também? Claro que não. Que jante nuggets. Ok, comprei uma sobremesa que ela gosta para não me sentir um monstro. Mas, peraí, vamos entender a mamãezinha.

Quando ela era pequena, levei à todas as festinhas de criança. Mesmo sem conhecer ninguém. Eu era aquela convidada que ninguém esperava, e ninguém sabia direito como me dar atenção… afinal, levei à serio um convite por educação. Mas, Marina adorava um pula-pula e brincar com outras crianças. Ficava eu lá numa mesa sozinha…mas ia. No final ela estava exausta de tanto que brincou, e ia embora com ela no colo dormindo. Se desse sorte, conseguia carona. Se não, lá íamos nós: eu, Marina e a bolsa. Não a bolsa de comida. A bolsa da criança que geralmente é revezada com o pai. Mas, sempre fomos nós duas… e a bolsa (com fraudas, lenços umedecidos, três peças de roupas, água, mamadeira, toalhinha etc.) não me intimidava.

Marina começou ir ao cinema cedo…e ao teatro também. Com 1 ano e meio já íamos. Ela chorava em tudo, era um inferno, mas com o tempo foi acostumando, e durante sei lá quantos anos da minha vida fiz APENAS programas infantis. Play Toy, praia com milhares de brinquedinhos pra brincar na areia, piscinas com boias e uma vasta coleção moda-praia. Aniversário infantis, DVDs, CDs, canais de TV. Tudo infantil.

Até que fui reparando que as fases iam mudando. E à medida que as fases foram mudando, NADA MAIS NO MUNDO me faria reviver uma fase anterior. Explico: não vou a aniversários infantis. Odeio animação. Praia, ok, levo o protetor. PlayToy nem pensar. Show? Ano Passado fomos ao Rock in Rio (Yeah, baby!). E mais: não saio com amigas com crianças menores que a minha. Nop. Tenho certeza que cada fase cumpri com excelência, e pasmem: feliz da vida. Mas, cabô a fase, cabô.

Ela tem um pouco de receio de me contar que está sentindo alguma coisa. Medir a temperatura é um momento de tensão. Quando vou conferir, ela diz “Mãe, por favor, não xinga”. Essa é uma fase que nunca muda. A da preocupação. Mas confesso que levá-la à emergência com aquele monte de criança me lembra ela no colo, a bolsa, e ter a força para segurá-la sozinha na hora na injeção. E como eu chorava quando ela chorava! No entanto, hoje é só dá uma fulminada com um olhar e dar uma rangida nos dentes, que ela tira o sangue quietinha.

Então, que comece a fase: vai aprender a comer comida gostosa (saudável é outro assunto), sim, senão vai sambar nos nuggets!!! Não me comovo.

 

Um comentário sobre “Querido Diário – #45”

  1. Menina eu tô tentando fazer a minha comer lasanha, strogonoff e ela só gosta de couve e angu, você acredita? No delivery é só pizza também. E só de calabresa.

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