Blues da piedade

Minha vida sempre foi o caos.

Já fui de muitos amigos, mas cheguei a conclusão que não sou do tipo sociável, porque normalmente acho todo mundo chato demais. No entanto, amo pra caramba, inclusive com suas chatices, meus poucos amigos de verdade.

Profissionalmente sou uma jornalista frustrada, mas por perceber que gostava de escrever, decidi fazer Literatura, que foi onde sem querer me achei. Nunca sonhei ser professora, mas é bem bacana essa sensação de ser útil na formação de alguém. Só não encontrem comigo às quartas-feiras depois de 3 aulas seguidas com a 6ª. Série, porque só Jesus Cristo salva meus desejos secretos.

[parêntese]SE certos alunos não fossem tão problemáticos (gremilins), SE fôssemos valorizados, SE tivéssemos mais apoio da sociedade (que acha que devemos trabalhar por amor, mas não sabem que pagar contas com amor é coisa de puta), SE os pais fizessem seu papel direitinho, e SE parassem de achar que também somos responsáveis pela educação que vem de casa… Seria maravilhoso.  Não é querer moleza… É querer o mínimo.[/parêntese]

Em casa todo mundo se ama. Verdade! Estamos aqui morrendo de saudade, porque Rafa foi morar em Trancoso, e isso há dois dias. No entanto, de forma geral, a casa é super agitada. O telefone toca o dia todo e a campainha também. Duas crianças, todo mundo em casa, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora.

Minha vida amorosa não tem nem o que esconder. Paixões avassaladoras. Amores impossíveis. Muita esperança. Muita vontade de acertar. Muitos desencontros. Muitos erros. Muitas alegrias. Muitas tristezas. Muito amor. Muitos sonhos. Muitos pesadelos. Muito vinho. Muita dor de corno. Muito vazio. Muitas verdades. Muitas mentiras.

Hoje, com Marina, não me dou ao luxo de ser o caos. Não chuto o balde. Não jogo as coisas para cima, e foda-se se cair em cima de mim. Não me ligo a ninguém, porque não posso me dar ao luxo de passar uma noite em claro por tristeza. Preciso dormir. Preciso trabalhar disposta. Preciso ter paciência e não ficar mal humorada com uma criança que não tem nada a ver com meus problemas. Ela precisa de mim, e do meu melhor. Foda-se qualquer outra coisa.

Minha vida não é mais o caos. Amigos? Só aqueles que confio. Trabalho? Nos conformes. Família? Crescendo e andando para frente. Amores? A lâmpada não desligo, mas chega de insetos em volta dela.

11 replies to “Blues da piedade

  1. Ainda bem que faço parte dos poucos amigos! :´)

    Ser mãe é uma transformação, a gente ensina muita coisa, mas aprende MUITO mais. E isso só quem tem filhos e é capaz de amá-los (infelizmente, tem gente sem coração que joga filho no lixou ou deixa em banco de igreja!) é capaz de entender.

  2. Dani, brilhante como sempre!

    No momento estou vivendo um caos, em muitos aspectos, coisas que fugiram do meu controle e que está punk controlar, mas ao mesmo tempo estou com uma vontade absurda de encontrar a paz.

    Estou sentindo cada vez mais o desejo de ser mãe se aproximando, mas com o coração em pedaços e a cabeça a mil esse desejo vai ficando distante de mim.

    Estou num momento em que gostaria absurdamente de ser outra pessoa, mas eu também acredito que momentos como estes servem para darmos valor as agradáveis surpresas da vida, pois “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.”

    Bjinhos querida!

  3. A minha nunca foi o caos.. eu sempre fiz o que queriam que eu fizesse, disse o que esperavam que eu dissesse, eu fui a certinha, a que não responde, a que leva na cabeça e sorri desconcertado… muitas vezes , talvez na maioria delas, eu ocultei minhas próprias verdades. Tenho me esforçado pra mudar isso, e espero que um dia isso tudo mude completamente, que seja um caos se for preciso, mas que seja verdadeiro! ;o) Beijos

  4. E assim a vida continua. Tb nunca fui muito sociável, sempre deixei claro que não forço simpatia, mas sou educada.
    Minha vida está bem, já no trabalho ando frustrada…
    Beijos *)

  5. É juju… mas comigo foi diferente.

    Reorganizei o meu caos.

    Muitas das atitudes e modo de ver a vida, ficaram para tráz quando minha filha nasceu. Mas sempre temos “hora tempestade” em nós.

    Mas não só pelos filhos, mas também pela maturidade que uma vem, vamos ficando mais conscientes das coisas.

    Mesmo na hora do papo de boteco.

  6. Dani, adoro! :D
    Não sabia meeesmo q vc era professora! Estou passada! Concordo com todos os seus ‘SE’ e tenho mais alguns.. ahahahaha

    É… Tem uma hora que a gente se acalma, né?

  7. pois é, Dani… antes deles (filhos) a gente até podia se dar ao luxo de dizer : “Alguém tem que se foder, contanto que não seja eu…”
    Hoje, na mínima insinuação de que pode respingar alguma coisa neles, a gente bate no peito e encara o foda-se… é isso aí!
    e, no mais… morria sem saber que vc era professora!

  8. Essa da lâmpada vai pro meu caderninho hein? Vai até pra frase de msn, com os devidos créditos! Hahaha
    Muito bacana o que um filho pode fazer né? Admiro sua luta e tb nunca deixar de acreditar no amor.
    Bjokas

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